Prefeito de Miami Beach aciona a polícia após comentário de mulher no Facebook

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 8:59
Policial “visita” morador de Miami após comentário no Facebook. Foto: reprodução

Um comentário publicado no Facebook por uma moradora de Miami Beach levou a uma visita policial após a reclamação ter partido diretamente do gabinete do prefeito da cidade, Steven Meiner.

Raquel Pacheco relatou que, na segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, dois detetives bateram à porta de sua casa, em South Beach, para questioná-la sobre um comentário deixado em uma postagem do prefeito nas redes sociais. No comentário, ela afirmava que Meiner “defende consistentemente a morte de todos os palestinos”. A mensagem foi publicada em resposta a um post em que o prefeito dizia que Miami Beach é “um lugar seguro para todos”.

O porta-voz da polícia de Miami Beach, Christopher Bess, confirmou por e-mail que a denúncia partiu do gabinete do prefeito, embora não tenha especificado se foi feita pelo próprio Meiner ou por membros de sua equipe, nem se houve pedido explícito de ação policial. Segundo Bess, após uma breve conversa com Pacheco, os policiais decidiram não abrir investigação criminal.

A justificativa oficial para a abordagem foi apresentada como uma medida preventiva. De acordo com a polícia, a ação ocorreu “diante de preocupações nacionais recentes relacionadas ao antissemitismo” e teve como objetivo garantir que não houvesse ameaça imediata à segurança do prefeito ou da comunidade. O departamento afirmou ainda que a conversa foi consensual, profissional e encerrada sem incidentes, reiterando compromisso tanto com a segurança pública quanto com os direitos constitucionais, incluindo a liberdade de expressão.

Dias depois da repercussão inicial do caso, o chefe da polícia de Miami Beach, Wayne Jones, declarou que ele próprio autorizou a visita dos detetives por considerar que o comentário poderia “estimular ações físicas por parte de terceiros”. Segundo Jones, o receio era de que a publicação, classificada por ele como “inflamatória e falsa”, pudesse gerar reações violentas. Ele afirmou que nenhum integrante da prefeitura determinou a abordagem policial.

O administrador municipal, Eric Carpenter, disse não ter participado da decisão, mas declarou apoio à iniciativa da polícia para lidar preventivamente com possíveis ameaças à comunidade.

Pacheco gravou a conversa com os policiais e divulgou o vídeo nas redes sociais. Nele, os agentes afirmam que a preocupação era evitar que “outras pessoas se agitassem ou concordassem com a declaração” e sugerem que ela evite publicar esse tipo de comentário, pois poderia “incitar alguma coisa”. Para Pacheco, a visita foi uma forma clara de intimidação e um ataque direto à Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão. Ela já contratou uma advogada, mas ainda não entrou com ação judicial.