Prefeito que criticou Gusttavo Lima por ausência em show é réu por compra de votos

Atualizado em 30 de junho de 2026 às 19:10
Gusttavo Lima
Cleber Chaparral, prefeito de Surubim (PE) e Gusttavo Lima. Foto: Reprodução.

O prefeito de Surubim (PE), Cléber Chaparral (União), que chamou Gusttavo Lima de “ladrão” depois do cancelamento de um show no município, é réu na Justiça Eleitoral por compra de votos nas eleições de 2024. A acusação coloca o gestor no centro de um processo criminal eleitoral enquanto ele também trava disputa pública com o cantor sertanejo.

O Ministério Público Eleitoral denunciou Chaparral, Jonas Luiz do Nascimento e Juliana Barbosa da Silva Aguiar, esposa do prefeito e prefeita de Casinhas (PE). A denúncia aponta Chaparral como mentor e beneficiário de um esquema que teria oferecido dinheiro, materiais de construção, exames e cirurgias a eleitores de Surubim para obter votos.

As investigações começaram depois que a polícia flagrou Jonas em atitude considerada suspeita enquanto dava suporte a uma comitiva de Juliana. Segundo a denúncia, ele teria fugido a pé ao ver a viatura, e os policiais encontraram no carro abandonado por ele um “kit de corrupção eleitoral profissionalizada”.

Entre os materiais apreendidos, o Ministério Público citou cadernos com listas de eleitores por localidade, registros de compromissos, R$ 23,7 mil em dinheiro vivo e pedidos de exames e cirurgias de catarata para terceiros vinculados ao apoio político. O caso seguiu para a Polícia Federal por envolver possível crime eleitoral.

Ministério Público pede condenação e reparação de R$ 100 mil

A Polícia Federal considerou que a materialidade do crime encontra respaldo direto nos documentos apreendidos e apontou “um conjunto coerente de fatos que apontam para a disponibilização, organização, circulação e potencial entrega de vantagens indevidas em contexto eleitoral, com o objetivo de obtenção de votos ou apoio político”.

Na época dos fatos, Chaparral exercia mandato de deputado estadual. A Justiça Eleitoral considerou inaplicável o foro por prerrogativa de função porque não identificou elementos que relacionassem a conduta investigada ao exercício do cargo. O Ministério Público Eleitoral pediu a condenação dos denunciados por corrupção eleitoral e a fixação de valor mínimo de R$ 100 mil para reparação de danos morais coletivos.

A defesa de Cléber Chaparral afirmou que os fatos narrados na denúncia já passaram por análise na Justiça Eleitoral em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral sobre o mesmo núcleo fático, julgada improcedente. Segundo os advogados, a ação afastou “a existência de abuso de poder, compra de votos, distribuição de dinheiro, materiais de construção, consultas médicas ou qualquer outra irregularidade eleitoral”.

A defesa também disse que não existe prova que vincule o prefeito à suposta compra de votos e que a denúncia “não identifica um único eleitor que tenha recebido vantagem em troca de voto, não individualiza qualquer conduta atribuída ao prefeito e se apoia em inferências já afastadas pela prova produzida na AIJE”. Os demais réus citados não se manifestaram à coluna que revelou o caso.

No último sábado (27/6), Chaparral chamou Gusttavo Lima de “ladrão” após o cantor faltar ao show que faria no São João de Surubim. “Gusttavo Lima é um ladrão de consciência, é um ladrão do dinheiro do povo”, disse o prefeito em vídeo, no qual também afirmou que o caminhão com equipamentos do artista não sairia da cidade enquanto o dinheiro não fosse devolvido. O cantor alegou intoxicação alimentar nas redes sociais: “Galera de Surubim, mil desculpas por não comparecer no show de hoje, intoxicação alimentar, traduzindo, caganeira msm. Tô numa diarreia absurda, fraco, suando frio. Me perdoem”.

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