Prefeitura desativa unidade de atendimento na Luz e Cracolândia se espalha pela cidade. Por Charles Nisz

Foto da ONG Craco Resiste

A Prefeitura de São Paulo se prepara para fechar a última unidade de Atendimento Diário Emergencial (Atende) em funcionamento na região da Cracolândia. Os usuários do equipamento, situado na Rua Helvetia, o mais próximo do fluxo, estão sendo orientados a procurar outros locais.

No início de agosto, a prefeitura desativou o Atende que ficava na Rua dos Gusmões e, em junho, a havia desativado a unidade localizada na Rua Marechal Rondon. O encerramento dos serviços que oferecem banho, pernoite e alimentação faz parte do projeto de empurrar a população em situação vulnerável para longe da região.

Durante a inauguração das obras do hospital que será construído na área, o governador João Doria (PSDB) admitiu que pretende remover parte das pessoas para um novo espaço na zona norte de SP. O governador só finge ignorar que os serviços de atendimento foram instalados na Luz porque a população em situação de rua e com uso problemático de drogas vivia e frequentava o bairro e não o contrário.

Colocar os serviços em outro ponto da cidade não vai causar um deslocamento das pessoas. Por isso, se torna cada vez mais evidente a intenção do governo do estado e da prefeitura de fazer ações policiais violentas para espalhar e esconder a Cracolândia. Esse processo também prevê a expulsão da população pobre da região.

Para a construção do hospital, dezenas de pessoas foram despejadas. Pequenos comerciantes do bairro têm sofrido dura perseguição, com os estabelecimentos sendo emparedados. “Doria e Covas continuaram a usar as pessoas em situação vulnerável para destruir outros bairros. A Armênia, onde foram instalados os novos equipamentos de atendimento, parece ser o próximo alvo”, dizem os integrantes do movimento A Craco Resiste, um coletivo empenhado em auxiliar a população em vulnerabilidade na Cracolândia.

Luz

O equipamento que oferecia banho, refeições e pernoite na Rua dos Gusmões foi desmontado. No lugar, foi instalado um estacionamento para a Guarda Civil Metropolitana (GCM). Um símbolo de como a prefeitura trata as pessoas que dormem nas ruas e com uso abusivo de drogas – na pancada.

Uma parte do serviço que funcionava no mesmo local já havia sido desativada, deixando as pessoas sem serviços essenciais para manutenção de dignidade mínima. A medida faz parte de um esforço de expulsar as pessoas que formam a Cracolândia da Luz.

O desmonte dos serviços está acompanhando de uma violência constante, especialmente da GCM. No dia 8 de agosto, equipes de assistência social da prefeitura foram obrigadas a sair do território para dar espaço para mais uma ação truculenta da guarda. A finalização das obras dos últimos prédios do conjunto habitacional do Complexo Júlio Prestes aumenta o temor de uma grande operação policial, como as realizadas em 2017.

Iniciado no primeiro semestre de 2017, o programa Redenção, voltado especialmente ao resgate e tratamento dos dependentes químicos na região da Cracolândia, no bairro da Luz, apresenta como saldo, segundo a Prefeitura de São Paulo, a redução do número de usuários de drogas naquele local de 4 mil para 420 pessoas, durante o dia.

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