
A Executiva Estadual do PSDB de São Paulo realiza neste sábado (25), às 11h, um encontro com seus pré-candidatos a deputado estadual e federal que marcará a primeira agenda pública de Ciro Gomes desde que foi oficialmente estimulado pelo partido a disputar a Presidência da República em 2026. O evento acontecerá no Clube Juventus, na Mooca, em São Paulo, e servirá como ato de mobilização interna da legenda após o encerramento da janela partidária.
A presença de Ciro ocorre em meio ao movimento nacional articulado pelo presidente do PSDB, Aécio Neves, que anunciou no último dia 14 ter convidado o ex-ministro para encabeçar uma candidatura tucana ao Palácio do Planalto. Aécio afirmou que vê em Ciro a possibilidade de construção de uma alternativa de centro fora da polarização entre o presidente Lula e o campo bolsonarista. O próprio Ciro confirmou ter recebido o convite e disse que a proposta ainda será “amadurecida” com seu grupo político.
No encontro deste sábado, Ciro participará de uma integração com os nomes que disputarão vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa paulista, em um gesto que o PSDB trata como demonstração de reorganização nacional. A leitura dentro da sigla é que a presença do ex-governador cearense pode ajudar a devolver musculatura política a um partido que perdeu protagonismo nos últimos anos e tenta voltar ao debate presidencial com um nome de alcance nacional.
A aproximação entre Ciro Gomes e o PSDB, porém, não começou agora. Em outubro do ano passado, o ex-presidenciável deixou o PDT e oficializou seu retorno aos tucanos, partido pelo qual já havia construído parte de sua carreira política no início dos anos 1990. Ciro foi um dos fundadores da legenda e chegou a ser o primeiro governador eleito pelo PSDB, no Ceará, antes de romper com o partido e migrar por outras siglas ao longo das décadas.
O retorno foi costurado nos bastidores principalmente pelo grupo liderado por Tasso Jereissati e tinha, inicialmente, como foco fortalecer uma eventual candidatura de Ciro ao governo do Ceará. A movimentação reposicionou o ex-ministro no tabuleiro eleitoral e reacendeu a discussão sobre qual papel ele cumprirá em 2026: se liderará a oposição ao PT em seu estado ou se será lançado novamente em uma disputa nacional.
A sinalização feita por Aécio, no entanto, embaralhou esse cenário. Ao colocar Ciro como opção presidencial, o PSDB tenta criar um fato político capaz de recuperar visibilidade e oferecer ao eleitorado um nome conhecido, com experiência administrativa e discurso econômico consolidado. Internamente, tucanos admitem que a exposição nacional do ex-ministro interessa mesmo antes de uma definição formal, pois ajuda a reerguer a marca do partido em um momento de fragilidade eleitoral.
Além de Ciro, o encontro em São Paulo terá a presença de outras lideranças tucanas, como Paulo Serra, pré-candidato ao governo paulista, a deputada estadual Ana Carolina Serra, o ex-senador José Aníbal e o prefeito de Marília, Vinícius Camarinha. Também são esperados prefeitos, vereadores, parlamentares e correligionários de várias regiões do estado.
Nos bastidores, a avaliação é de que o ato deste sábado funcionará não apenas como reunião partidária, mas como teste de temperatura para medir a recepção do nome de Ciro entre quadros tucanos fora do Ceará. A depender da repercussão e das pesquisas internas que o PSDB pretende encomendar nas próximas semanas, o ex-ministro poderá consolidar de vez seu retorno ao centro do debate eleitoral brasileiro.
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