Premiê da Espanha detona lei de Israel que autoriza execução de palestinos: “Rumo ao apartheid”

Atualizado em 31 de março de 2026 às 12:17
Primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Foto: AFP

A recente aprovação de uma lei no Parlamento de Israel, que estabelece a pena de morte como sentença padrão para palestinos condenados por ataques letais, gerou críticas do premiê da Espanha, Pedro Sánchez, que descreveu a medida como “um passo a mais rumo ao apartheid”. Em suas redes sociais, ele afirmou que a lei é assimétrica, já que não será aplicada a israelenses que cometam crimes semelhantes, o que, segundo ele, não é justiça.

“O Governo da Espanha condena a pena de morte contra palestinos que acaba de aprovar o parlamento de Israel. Trata-se de uma medida assimétrica que não se aplicaria aos israelenses que cometessem os mesmos delitos. Mesmo crime, pena diferente. Isso não é justiça, é mais um passo em direção ao apartheid. O mundo não pode se calar”, escreveu Sánchez no X.

A declaração de Sánchez reflete um crescente descontentamento em toda a Europa. Mesmo aliados históricos de Israel, como a Alemanha, se manifestaram contra a legislação. O governo de Berlim expressou preocupação com o fato de a lei ser aplicada quase exclusivamente a palestinos, especialmente nos territórios ocupados.

A Alemanha reiterou sua oposição à pena de morte, apesar de reconhecer a postura de Israel contra o terrorismo.

A União Europeia também se uniu ao coro de críticas. Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que a medida representa “um claro retrocesso” e pediu que Israel respeite o direito internacional e seus compromissos democráticos.

Já antes da votação, ministros das Relações Exteriores de diversos países, como Alemanha, França, Itália e Reino Unido, haviam alertado que o projeto era discriminatório e prejudicaria os princípios democráticos de Israel.

A nova legislação cumpre uma das principais promessas da extrema direita no governo de Benjamin Netanyahu, que defende um endurecimento das punições em casos de violência. A medida prevê que cidadãos israelenses também possam ser punidos com a pena capital caso tentem “negar a existência do Estado de Israel”.

O texto aprovado permite a execução por enforcamento em até 90 dias após a sentença, sem direito à clemência, mas com possibilidade de adiamento. Críticos apontam que a lei é discriminatória, especialmente por atingir palestinos julgados em tribunais militares na Cisjordânia.

Os tribunais têm uma taxa de condenação de cerca de 96% e histórico de obtenção de confissões sob tortura, segundo o grupo israelense B’Tselem.

Organizações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, e especialistas da ONU (Organização das Nações Unidas) também expressaram preocupações com a lei. Eles afirmam que as definições vagas de terrorismo poderiam levar à aplicação da pena capital em casos que não se enquadram nessa categoria, ampliando a discriminação.

Dentro de Israel, também há questionamentos sobre a constitucionalidade da lei, o que pode levar a uma contestação na Suprema Corte.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.