
O Grupo Prerrogativas divulgou nesta quinta-feira (30) uma dura nota em defesa de Jorge Messias e classificou como “sórdida e mesquinha manipulação” a articulação que levou o Senado a rejeitar a indicação do advogado-geral da União ao Supremo Tribunal Federal. A entidade afirmou que a votação foi contaminada por interesses políticos estranhos ao rito constitucional.
Na avaliação do grupo, a derrota de Messias não decorreu de questionamentos técnicos sobre sua capacidade jurídica, mas de uma operação conduzida para impor desgaste simultâneo ao Palácio do Planalto e ao próprio STF. O Prerrogativas sustenta que senadores usaram a sabatina para externar insatisfações com decisões recentes da Corte, especialmente as punições impostas aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

“O ministro Jorge Messias foi vítima de uma sórdida e mesquinha manipulação”, diz um dos trechos centrais da nota. A entidade acrescenta que “motivações rasteiras e ignominiosas da política” foram trazidas para um procedimento que deveria se limitar à avaliação constitucional do indicado.
Segundo o texto, os senadores “se afastaram de sua incumbência constitucional” ao transformar a votação em instrumento de pressão contra ministros do Supremo e contra o governo Lula. Para o grupo, a rejeição serviu menos para avaliar Messias e mais para produzir um recado político em meio à escalada de tensão entre Congresso, Judiciário e Planalto.
O Prerrogativas afirma ainda que, ao barrar o nome do AGU, “foi o Senado que se rebaixou vergonhosamente”. Na leitura da entidade, Messias saiu preservado institucionalmente e exibiu “a grandeza de seu caráter e de sua sabedoria”, enquanto a Casa teria exposto a deterioração do ambiente político que cerca a relação entre os Poderes.