Presidenta eleita da Costa Rica é radical de extrema-direita que se inspira em Bukele

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 20:00
Laura Fernández, presidenta eleita da Costa Rica

A cientista política Laura Fernández, candidata do Partido Soberano do Povo, foi eleita no domingo (1º) como a próxima presidente da Costa Rica. Com perfil de extrema-direita e discurso de linha-dura na segurança pública, Fernández alcançou 48,5% dos votos com 88,4% das urnas apuradas, superando o patamar de 40% necessário para vencer no primeiro turno. Em seu pronunciamento após o resultado, declarou-se “democrata convicta” e defensora da “liberdade, da vida e da família”.

Em discurso em San José, a presidente eleita afirmou que recebeu um mandato para promover mudanças profundas. Disse que pretende construir uma “terceira república” e sinalizou que seu governo buscará reformas estruturais, especialmente no Judiciário e em outras instituições estatais.

Dirigentes de seu partido admitem que uma das metas é alterar a Constituição para permitir a reeleição consecutiva.

No Congresso, o Partido Soberano do Povo conquistou 30 das 57 cadeiras, de acordo com resultados preliminares. Apesar da maioria simples, a legenda precisará negociar apoio para aprovar reformas que exigem dois terços dos votos no Legislativo. O segundo colocado foi Álvaro Ramos, do Partido da Libertação Nacional, que obteve 33,3% dos votos. A abstenção ficou em 30,3%, segundo o Tribunal Supremo Eleitoral.

Fernández é especialista em políticas públicas e governança democrática e se torna a segunda mulher a chegar à Presidência do país, após Laura Chinchilla (2010–2014). No governo anterior, ocupou os cargos de ministra do Planejamento Nacional e Política Econômica (2022–2025) e ministra da Presidência (2024–2025), período em que teve papel central na condução de reformas administrativas.

A agenda da presidenta eleita prioriza segurança pública e combate ao narcotráfico, com propostas de maior controle territorial, profissionalização das forças policiais e expansão do uso de scanners em portos, aeroportos e fronteiras. Fernández declara inspiração no modelo de enfrentamento ao crime adotado por Nayib Bukele, presidente de El Salvador, frequentemente citado por ela durante a campanha.

Durante debates eleitorais, afirmou que não hesitará em adotar medidas duras para reduzir a violência. Em 26 de janeiro, defendeu a possibilidade de revogação temporária de garantias constitucionais, prevista na Constituição do país, como instrumento excepcional para restringir a atuação de criminosos, seus deslocamentos e áreas de influência.