Presidente bolsonarista da CPI do INSS defende Lagoinha após repassar R$ 3,6 milhões à igreja

Atualizado em 17 de março de 2026 às 13:55
O pastor bolsonarista André Valadão, dono da Lagoinha. Foto: Reprodução

O senador bolsonarista Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga as fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), negou que a Igreja Batista da Lagoinha tenha recebido dinheiro proveniente de desvios do esquema. A instituição religiosa é do pastor bolsonarista André Valadão.

“Não há até o momento qualquer ligação de que a igreja tenha recebido o dinheiro do INSS. Há um relacionamento de um pastor que tinha uma igreja separada, que ele deixava separado e que estava numa ligação com o Márcio e que teve das explicações já foi convocado e eu espero que ele venha”, declarou Viana a jornalistas.

Viana alegou que, até o momento, não foi comprovada nenhuma ligação direta entre a igreja e os desvios investigados pela CPMI. Ele afirmou, no entanto, que três igrejas, incluindo a Lagoinha, estão sendo investigadas por “indícios de lavagem de dinheiro”.

De acordo com o senador, os sigilos bancários de pessoas investigadas foram quebrados, e os parlamentares da CPMI agora têm acesso a essas informações.

Viana também afirmou que as igrejas têm associados que foram investigados por fazerem contribuições financeiras. “Todos os sigilos bancários das pessoas investigadas foram quebrados e estão à disposição daqueles que estão fazendo os requerimentos”, completou.

A CPMI do INSS passou a investigar a Lagoinha após a revelação de que Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios, financiou um evento de Réveillon realizado pela igreja no Allianz Parque, em São Paulo, em 2024. O episódio chamou a atenção dos parlamentares para a relação entre a igreja e os envolvidos nas fraudes investigadas.

A Lagoinha foi mencionada em investigações anteriores por receber recursos com suspeita de terem origem em práticas ilícitas, mas não houve confirmação de qualquer relação com a fraude no INSS.

Carlos Viana e Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

O presidente da CPMI do INSS já enviou emendas parlamentares, em 2019, para a Lagoinha. Ele repassou um total de R$ 3,6 milhões e R$ 1,5 milhão foi destinado à Fundação Oasis, entidade que atua como braço social da igreja evangélica.

A fundação atua em Belo Horizonte (MG), com trabalhos de acolhimento para idosos e crianças. A Oasis criou, por exemplo, uma instituição de moradia e cuidados para mulheres idosas e uma creche para crianças da comunidade local em parceria com a prefeitura.

Viana alegou, em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda (15), que ajudou uma série de entidades do tipo, não apenas a Oasis. “Ajudei dezenas de fundações. O governo deve muito às igrejas pelas assistências sociais em presídios”, afirmou.

Ele ainda alegou que o repasse foi feito há sete anos, antes das investigações contra a igreja. Veja:

Vale lembrar que a Lagoinha também foi citada na investigação sobre o Banco Master. O cunhado de Vorcardo, Fabiano Zettel, atuava como pastor voluntário da igreja em BH. Ele foi preso preventivamente na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bancárias.

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também mostrou que o Master enviou R$ 3,9 milhões para uma produtora de vídeo ligada ao grupo Lagoinha, a Amando Vidas Produtora e Gravadora Ltda.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.