Presidente da Colômbia rebate Trump após ameaça à Venezuela

Atualizado em 30 de novembro de 2025 às 18:07
Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Foto: reprodução

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu à mais recente escalada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ordenou que companhias aéreas e até “traficantes de drogas e de pessoas” considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela “totalmente fechado”. A declaração, feita no sábado (29) na rede Truth Social, provocou forte reação regional e levou o governo venezuelano a classificar o aviso como “ameaça colonialista”.

Petro, sem citar Trump diretamente, questionou o fundamento legal da ordem. “Quero saber sob qual norma de direito internacional um presidente de um país pode fechar o espaço aéreo de outra nação?”, escreveu no X. Para ele, um presidente estrangeiro não pode determinar a interdição do espaço aéreo de outro país, sob risco de esvaziar o próprio conceito de soberania nacional.

“Um espaço aéreo nacional não pode ser fechado por um presidente estrangeiro, ou acabou o conceito de soberania nacional e o conceito de ‘direito internacional'”, afirmou o colombiano, que também publicou a crítica no perfil oficial da Celac, da qual ocupa a presidência temporária.

O presidente da Colômbia também criticou a Oaci, órgão global responsável por regular a aviação civil. Segundo Petro, se um chefe de Estado estrangeiro consegue impor o fechamento do espaço aéreo de outro país sem respaldo normativo, a agência falha em sua função. A crítica reflete a tensão crescente na região diante da postura estadunidense.

No sábado, Trump reforçou o alerta anterior, emitido em 21 de novembro, quando autoridades da aviação dos Estados Unidos recomendaram que aeronaves civis evitassem sobrevoar a Venezuela devido à “situação de segurança que piora” e ao aumento das atividades militares.

A diferença é que, desta vez, o presidente falou explicitamente em “espaço aéreo fechado”, ampliando o impacto político e diplomático da declaração.

A escalada verbal levou a reações imediatas. Desde a primeira recomendação dos EUA, seis companhias aéreas suspenderam voos de e para o país: Iberia, TAP, Avianca, Latam Colômbia, Gol e Turkish Airlines.

Em resposta, a autoridade aérea venezuelana revogou as permissões dessas empresas para operar no país, aprofundando o isolamento da Venezuela na aviação comercial da América do Sul.

Paralelamente ao impasse aéreo, Trump afirmou que ofensivas terrestres contra o narcotráfico venezuelano podem começar “muito em breve”.

Em conversa com militares, ele disse que o tráfico marítimo está diminuindo e que os Estados Unidos agora buscarão impedir o transporte por terra, considerado por ele “mais fácil”. “Alertamos eles a pararem de enviar veneno para o nosso país”, declarou.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.