
A Polícia Civil de São Paulo investiga Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), por suspeitas de gestão fraudulenta, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crimes tributários. O inquérito foi instaurado em 23 de janeiro após envio de notícia de fato criminal pelo Ministério Público. A apuração passou inicialmente pelo 23º Distrito Policial da capital e depois foi encaminhada a uma delegacia especializada em lavagem de dinheiro. Com informações do UOL.
Segundo despacho do Ministério Público, há indícios de “vultosa evolução patrimonial desprovida de lastro compatível com as rendas declaradas”. A promotoria solicitou aprofundamento na análise da origem de recursos, movimentações societárias e aquisição de bens vinculados ao dirigente e a pessoas próximas.
Documentos encaminhados aos investigadores citam a compra de imóveis e participação em empresas. Parte relevante dos ativos mencionados estaria concentrada na cidade de Taubaté, no interior de São Paulo. A estimativa apresentada aos investigadores aponta que o patrimônio ligado ao dirigente e a familiares teria ultrapassado R$ 25 milhões nos últimos anos.

O material também registra movimentações societárias consideradas atípicas, incluindo reorganização de bens por meio de pessoa jurídica. Em 2014, grande parte do patrimônio foi transferida para a empresa LACS Participações Ltda., classificada como holding familiar que passou a concentrar imóveis e participações empresariais da família.
Outro ponto analisado pela investigação envolve R$ 15,5 milhões que teriam sido recebidos em dinheiro em espécie. Esses valores passaram a ser objeto de verificação quanto à origem e eventual relação com aquisição de bens. A defesa afirma que não houve recebimento em espécie e que a venda de participação empresarial ocorreu por transferência bancária declarada à Receita Federal.
A representação também menciona a formação de sociedade imobiliária com dirigente ligado ao Esporte Clube Taubaté, clube filiado à própria Federação Paulista. Reinaldo Carneiro Bastos nega irregularidades e afirma que a denúncia integra uma campanha difamatória ligada à disputa eleitoral pela presidência da entidade, cuja eleição está marcada para 25 de março. No cargo desde 2015, ele busca novo mandato após mais de quatro décadas de atuação na federação.