Presidente da Fundação Palmares é filho de um dos maiores nomes da literatura negra, que denunciou o racismo a vida toda

Sérgio Camargo, novo presidente da Fundação Palmares

Daria para resumir a tragédia do governo Bolsonaro com o que os americanos chamam de “daddy issues”, problemas com o pai.

O apego de gente fraca de caráter e espírito à figura masculina forte, firme e canhestra de Jair vem muito daí. É uma velha tradição fascista.

Os três patetas, Zero 1, Zero 2 e Zero 3, são uma prova ambulante desse desastre psíquico.

Abraham Weintraub e o irmão Arthur, respectivamente ministro da Educação e puxa saco com cargo oficial, tentaram interditar o próprio genitor, Mauro, que defendia a descriminalização da maconha e foi perseguido pelos militares.

JB preenche esse vazio de afeto com porrada, testosterona, ódio, ressentimento e ignorância.

Nomeado presidente da Fundação Palmares, o órgão responsável por promover a cultura afro-brasileira, Sérgio Camargo é um conhecido militante bolsonarista.

Nega a existência de racismo no Brasil.

Em sua conta no Facebook, afirma ter estudado jornalismo na PUC, mas não existem outras informações sobre sua carreira.

Nas redes sociais, ataca personalidades que se destacaram na luta contra o preconceito, detona as cotas e apoia o pacote anti-crime de Moro e o excludente de ilicitude.

“A escravidão era um negócio lucrativo tanto para os africanos que escravizavam, quanto para os europeus que traficavam escravos. A diferença é que os europeus não escravizam mais. Já os africanos…”, escreveu, entre outras pérolas.

“É inacreditável que tenham tentado ligar nosso presidente ao assassinato dessa mulher sem valor. É preciso que Marielle morra, só assim ela deixará de encher o saco!”, disse.

Outra pérola: “A escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes”.

Sérgio é filho de Oswaldo de Camargo, um dos maiores nomes da literatura negra no Brasil.

Aos 83 anos, é poeta, ficcionista, crítico, historiador. Foi articulista do Estadão. Coordenou o Museu Afro Brasileiro, em São Paulo.

Nos anos 60, foi diretor cultural da Associação Cultural do Negro.

Durante a ditadura, uniu-se a intelectuais para um movimento de resistência ao regime e pela redemocratização.

É autor de mais de dez livros. Foi traduzido para alemão, francês e espanhol.

O segundo, 15 POEMAS NEGROS, de 1961, teve prefácio de Florestan Fernandes. 

Eis uns versos de Oswaldo: 

Eu conheço um grito de angústia,

e eu posso escrever este grito de angústia,

e eu posso berrar este grito de angústia,

quer ouvir?

“Sou um negro, Senhor, sou um… negro!”

“O negro vive emparedado”, disse ele em entrevista à UFMG. 

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!