Presidente de Cuba reage a jornalista dos EUA sobre “renúncia”: “Vai perguntar isso ao Trump?”

Atualizado em 10 de abril de 2026 às 10:42
Miguel Diaz-Canel, presidente de Cuba, e a jornalista da NBC News Kristen Welker

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que não pretende deixar o cargo em resposta a uma pergunta sobre renúncia durante entrevista à rece americana NBC News. O episódio ocorreu em Havana, em conversa com a jornalista Kristen Welker, exibida no programa “Meet the Press”.

Questionado se estaria disposto a renunciar “para salvar o país”, Díaz-Canel foi na lata. “Essa é uma pergunta sua ou vem do Departamento de Estado dos Estados Unidos?”, questionou.

O presidente cubano afirmou que a legitimidade do governo não depende de Washington. “Em Cuba, as pessoas que ocupam cargos de liderança não são eleitas pelo governo dos Estados Unidos, nem têm mandato vindo de lá”, disse.

Ele acrescentou que Cuba é um Estado soberano, com autodeterminação e independência.

Díaz-Canel também declarou que deixaria o cargo apenas se houvesse rejeição interna. “Se o povo cubano entender que não estou apto para o cargo, que não tenho motivo para estar aqui, então não devo ocupar essa posição, responderei a eles”, afirmou.

A entrevista ocorre em meio a uma crise energética severa, provocada pelo bloqueio criminoso do governo Trump. Cuba produz cerca de 40% do combustível que consome e depende de importações, historicamente vindas da Venezuela. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos sequestraram o então presidente Nicolás Maduro, interrompendo o fornecimento.

No mesmo mês, Donald Trump assinou uma ordem executiva impondo tarifas adicionais a países que forneçam petróleo a Cuba. Como consequência, o país enfrentou apagões e escassez de serviços básicos, incluindo água e atendimento hospitalar, resultando, inclusive, na morte de crianças.

O secretário de Estado Marco Rubio afirmou recentemente que o sistema econômico cubano “não funciona” e defendeu a troca de liderança no país. Trump tem ameaçado Cuba de ser “o próximo” país a ser alvo de um golpe de estado.

Apesar da tensão, o governo cubano indicou disposição para diálogo, mas sob seus próprios termos. As negociações entre os dois países ainda estão em estágio inicial, segundo autoridades envolvidas.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.