Pressionado por 40 países, Irã impõe condição para a reabertura de Ormuz

Atualizado em 2 de abril de 2026 às 23:26
Estreito de Ormuz. Imagem: reprodução

O governo do Irã informou nesta quinta-feira (2) que trabalha, em conjunto com Omã, na elaboração de um protocolo para garantir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, à agência Sputnik, a medida só será aplicada após o fim da guerra com Estados Unidos e Israel.

Também nesta quinta, cerca de 40 países cobraram a “reabertura imediata” da passagem, considerada vital para o comércio global. Nações do Golfo Pérsico chegaram a pedir autorização da ONU para uso da força, alegando prejuízos às exportações.

O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo. A rota é controlada pelo Irã e pelo Sultanato de Omã, que possui território na costa sul da região. Desde os ataques de EUA e Israel, em 28 de janeiro, Teerã mantém a passagem efetivamente fechada.

O bloqueio já impacta preços de combustíveis e o fornecimento de fertilizantes no mundo. Mesmo com o protocolo em discussão, o Irã indicou que a futura reabertura não incluiria embarcações ligadas a EUA e Israel, mantendo restrições de longo prazo a esses países.

Enquanto isso, o Reino Unido acusou Teerã de “manter a economia mundial como refém” durante reunião virtual com mais de 40 países. Os Estados Unidos não participaram do encontro, após Donald Trump afirmar que a segurança da rota “não é responsabilidade americana” e criticar aliados europeus.

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

Na prática, o tráfego marítimo está quase paralisado. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, foram registrados 23 ataques a navios comerciais, com 11 tripulantes mortos, segundo a Lloyd’s List Intelligence. Os poucos petroleiros que ainda cruzam a região operam sob forte controle iraniano.

Apesar de não depender diretamente do petróleo que passa por Ormuz, os EUA já sentem os efeitos indiretos. A redução da oferta global elevou o preço do barril, pressionando custos de gasolina, transporte e mercadorias, o que pode afetar a popularidade do presidente.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.