Primeiro caso de gripe aviária H10N3 é relatado em humanos na China

Galinha. Foto: Pixabay

Publicado originalmente no Socientífica

POR MATEUS MARCHETTO

No dia primeiro de junho deste ano, autoridades chinesas relataram o primeiro caso de H10N3 em humanos. A variante da gripe aviária é considerada rara mesmo nas aves, e de acordo com conselhos de saúde, não representa um alto risco de epidemia. De acordo a OMS, ainda, a transmissão humano-para-humano é bastante rara, sem nenhum registro ainda.

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Isso indica que o homem, de 41 anos, provavelmente entrou em contato com o vírus por meio de criações de aves. Apesar disso, o relatório não divulgou a fonte da infecção. O paciente mora na província de Jiangsu e deu entrada no hospital no último dia 28, com sintomas de gripe. Todavia, o homem já foi liberado e as pessoas que tiveram contato com ele estão sendo acompanhadas.

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A variante H10N3, como dito antes, é pouco infecciosa e de acordo com a OMS apresenta um baixo risco de epidemia. Ainda assim as autoridades recomendam cautela, uma vez que outras cepas da gripe aviária são altamente transmissíveis e letais, como a H5N8.

Gripe aviária e gripe humana

A gripe acontece por ação do vírus influenza, que pode ser do tipo A, B, C ou D. Os tipos A e B têm maior potencial de infectarem humanos e o A principalmente pode causar epidemias ou pandemias, como a de 2009 e a de 1918 (ambas causadas pelo influenza A-H1N1). Já as letras H e N vêm das proteínas Hemaglutinina e Neuraminidase, presentes no envelope viral. Essas proteínas podem ter, também, variações, dando os nomes das variantes.

Acontece que a gripe aviária está na mira de autoridades de saúde já há alguns anos. Isso porque variantes como o H5N1 podem alcançar até 60% de mortalidade. H7N7, 39%. O SARS-CoV-2, por exemplo, pode atingir 4% em casos severos. Entre 2016 e 2017, por exemplo, o vírus H7N9 causou a morte de 300 pessoas na China, enquanto em fevereiro deste ano a Rússia relatou o primeiro caso de H5N8 em humanos.

Todavia, a maioria das gripes são sazonais e ocorrem todo ano, de forma geral com uma baixa letalidade.

Ademais, os vírus influenza apresentam, de forma geral, uma alta transmissibilidade, já que a transmissão ocorre por gotículas de saliva – mais uma vez, como o novo coronavírus. Essa característica, aliada a uma alta mortalidade poderia causar uma pandemia muito pior do que a que estamos enfrentando agora.

Ainda assim, não há motivo para alarde, apenas para cautela, de acordo com autoridades de saúde mundiais.

O boletim oficial do governo chinês está disponível no site da Comissão Nacional de Saúde do Povo.

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