
O líder do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos, que também é pré-candidato à Presidência da República pelo Missão, passou a enfrentar desgaste político após a revelação de mensagens trocadas em um grupo de Instagram no qual comentava uso de entorpecentes, recomendava autores ligados à extrema-direita e participava de conversas com teor misógino e preconceituoso.
As mensagens, obtidas pelo Metrópoles, integra uma denúncia-crime apresentada ao Ministério Público Federal do Distrito Federal pelo estudante de ciência política Ian Bartholo Lukas Coelho. Em resposta, o próprio Renan confirmou a autenticidade das mensagens e tentou justificar o conteúdo.
Uma das principais contradições apontadas envolve a pauta antidrogas, que está no centro do discurso público do dirigente. No grupo Cannipapo, do qual participou entre 2024 e 2025, Renan relatou ter consumido cogumelos alucinógenos em mais de uma ocasião.
Em uma das mensagens, escreveu: “Cara. Tomei um cogumelo e tô ouvindo Wagner. Adeus”. O compositor Richard Wagner, declaradamente antissemita, era idolatrado por Adolf Hitler e tem suas obras como trilha sonora de grupos neonazistas.
Duas semanas depois, voltou ao tema de drogas: “Usei cogumelo de novo no fim de semana e tenho certeza que existe um mundo gigante cheio de significados no inconsciente. Que alguns acessam mais que outros”. Questionado se o cogumelo era “Cubensis?”, respondeu: “Si” [SIC].
Renan disse não saber a origem da substância e minimizou o episódio. “Sei lá, me deram. Eu nunca comprei. Eu ganhei, tomei uma microdose. Eu tomei uma vez um um negócio e foi isso”, afirmou inicialmente.
Depois, recuou parcialmente: “Que eu me lembro, tomei na minha vida três vezes. Microdosagem talvez tenha tomado alguma microdosagem para trabalhar, para escrever, que eu uso isso para ver artigos, talvez, mas não me lembro assim, tá?”. Veja alguns prints:
Na defesa que fez de si mesmo, sustentou que não vê contradição entre o consumo relatado e sua posição política. “Primeiro que isso aqui não tá financiando nenhum tráfico de droga internacional de porra nenhuma. Eu não sou um drogado. Eu usei um 0,00 de alguma coisa para uma experiência musical e não recomendo os outros que façam e nem vou fazer mais, porque eu não preciso disso, tá? Eu nunca matei ninguém para para isso. Eu nunca financiei nada disso. Não tenho nenhuma contradição nisso”.
As mensagens reveladas também expõem o ambiente ideológico do grupo. Renan perguntou aos participantes se conheciam autores como “BAP, Jordani e Astral” e depois afirmou: “Vocês têm que ler a Valete (revista do Missão). Tem várias pistas desses autores por lá. Vocês são as pessoas que estávamos buscando encontrar na Valete”.
O texto cita que um desses autores é associado a ideias fascistas, enquanto outro escreveu sobre inferioridade genética e intelectual de povos não arianos. Depois, Renan afirmou que discorda de parte desse conteúdo, mas reconheceu influência de alguns nomes.
Outro trecho que ampliou a repercussão foi a participação do pré-candidato em conversas ofensivas sobre gays, judeus e mulheres. Em uma das mensagens, escreveu: “Grupos políticos saudáveis têm que ter seus gays. E tem que ser gay que anda com hétero. Não essa segregação ridícula de hoje. Mas existem muitas dificuldades. Gays são muito pouco afeitos a lealdades”.
Em outro momento, ao comentar a presença de judeus no movimento, disse: “Graças a Deus o MBL tá bem cheio de judeu. E tem um belo muçulmano geninho pra contrabalancear”. Já em uma conversa sobre fotos de mulheres, perguntou: “Qual é a melhor?” e depois encerrou a troca com: “Parece que temos um consenso”.


