
A prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16), em operação da Polícia Federal que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas no caso Banco Master, trouxe aos holofotes episódios anteriores envolvendo o banco público. Entre eles está uma reportagem publicada em 2023 por Lúcio de Castro, da Agência Sportlight, sobre negócios do BRB com o grupo Sarkis e o financiamento da mansão comprada por Flávio Bolsonaro em Brasília.
Segundo a matéria, em 6 de julho de 2020, a Sarkis Empreendimentos, do grupo Sarkis, obteve um empréstimo de R$ 1 milhão no BNDES, tendo o BRB como instituição financeira credenciada para a operação. Meses depois, Flávio Bolsonaro conseguiu no mesmo banco um financiamento de R$ 3,1 milhões para comprar uma mansão no Lago Sul, em Brasília, que pertencia a Juscelino Sarkis, filho de Simão Sarkis.
A operação foi liberada no segundo semestre de 2020, e a escritura da venda foi formalizada em 29 de janeiro de 2021, com valor anunciado de R$ 6 milhões. A venda foi feita por meio da RVA Construções e Incorporações, empresa de Juscelino Sarkis, segundo a reportagem da Sportlight.
A operação foi liberada no segundo semestre de 2020, e a escritura da venda foi formalizada em 29 de janeiro de 2021, com valor anunciado de R$ 6 milhões. A venda foi feita por meio da RVA Construções e Incorporações, empresa de Juscelino Sarkis. O financiamento da mansão exigiu aval direto da diretoria colegiada do BRB, então presidida por Paulo Henrique Costa, indicado por Ibaneis Rocha. A liberação do crédito colocou o ex-presidente do banco no centro de uma operação que beneficiou Flávio Bolsonaro na compra de um imóvel de alto padrão na capital federal.
As condições do financiamento chamaram atenção na época. Os R$ 3,1 milhões restantes da compra foram financiados em 360 meses, com taxa nominal de 3,65% ao ano, abaixo da inflação de 2020, que ficou em 4,52%. As taxas do contrato variavam entre 3,65% e 3,71% ao ano, mais IPCA, em patamar considerado incomum para um cliente comum. Outra controvérsia apontada no texto é que a prestação consumiria 49% da renda declarada do casal.
O valor somado dos rendimentos de Flávio Bolsonaro e da mulher era de R$ 36.957,68, abaixo da renda mínima exigida pelo simulador do próprio BRB para aprovação de um financiamento nessas condições, estimada em R$ 46.401,25. A escritura também registrou R$ 1,78 milhão como quitados, embora esse montante não aparecesse nas transferências bancárias do senador.
Em julho de 2024, Flávio Bolsonaro quitou o saldo devedor da mansão com seis pagamentos extras que somaram R$ 3,4 milhões. Os depósitos foram feitos nos valores de R$ 198.150, R$ 355 mil, R$ 420 mil, R$ 680 mil, R$ 750 mil e R$ 997 mil. O senador alegou que o dinheiro veio de salário e de sua antiga franquia de chocolates.
Na ocasião, Flávio alegou que parte do dinheiro teria vindo de seu trabalho como advogado. De acordo com a Sportlight, porém, nenhuma causa em seu nome foi encontrada na Justiça. O texto ainda cita que, no livro “Simão Sarkis 80 anos – vida e legado”, lançado em setembro de 2020, Jair Bolsonaro aparece em uma foto com mensagem de agradecimento pelo “apoio e consideração”, sem detalhar a que apoio se referia. Na imagem, ele está ao lado do senador Eduardo Gomes, nome próximo tanto do clã Bolsonaro quanto dos Sarkis.
Os negócios com empresas ligadas à família Sarkis não pararam aí. Em 5 de setembro de 2022, a Sarkis Mineração, também vinculada a Juscelino Sarkis, assinou contrato de R$ 1,1 milhão com o BRB para fornecimento de brita para a pista do autódromo de Brasília. Entre 2021 e 2022, a mineradora ainda obteve oito processos de licenciamento na Agência Nacional de Mineração.

O caso Master também chegou ao entorno imediato de Flávio Bolsonaro. Letícia Caetano dos Reis, sócio-administradora do escritório do senador, foi levada ao centro das apurações por ser irmã de Alexandre Caetano dos Reis, investigado como sócio do “careca do INSS”. Em requerimento apresentado na CPI do Crime, o Senado apontou a necessidade de rastrear possíveis movimentações entre o Banco Master e o escritório de Flávio, inclusive de forma indireta. O mesmo documento cita ainda as doações de campanha feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, à campanha de Jair Bolsonaro, ampliando a linha de investigação sobre a rede de relações políticas e financeiras em torno do caso.