Prisão de Paulo Preto é cortina de fumaça para tentar diminuir impacto do encarceramento de Lula. Por Joaquim de Carvalho

Atualizado em 6 de abril de 2018 às 8:43
Paulo Preto. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Não conheço detalhes da investigação que levou a Justiça Federal em São Paulo a decretar a prisão do ex-operador do PSDB Paulo Preto e de busca e apreensão em sua residência. Mas afirmo, sem medo de errar, que essa decisão é uma cortina de fumaça para tirar o foco do que ficou escancarado com a decisão apressada de Sergio Moro de prender Lula: a parcialidade da Justiça.

Os juízes federais — não todos, mas uma grande parte, reunidos em torno da Ajufe, a associação nacional da categoria — agem como força política e tomam decisões que parecem autônomas, mas no fundo estão conectadas em torno de um projeto de poder. Eles sabem que, hoje, a última palavra é dada pelos juízes (sic).

O Diário do Centro do Mundo publicou, há dois meses, um apelo de Sergio Moro para os demais juízes o apoiarem — pelo menos a maioria, nas palavras dele. Sem esse apoio, disse ele num grupo fechado de magistrados, ficaria difícil continuar seu trabalho na Lava Jato.

Você acha que é coincidência a humilhação imposta ao ex-governador Sergio Cabral durante sua transferência para a prisão em Curitiba? Como se recorda, Cabral foi exposto às lentes dos fotógrafos e das câmeras de televisão acorrentado pelos pés e pelas mãos, como se fosse o canibal Hannibal Lecter.

Polícia Federal agiu sob a jurisdição de Moro, depois que Cabral tinha conseguido evitar sua transferência determinada por Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, graças a uma decisão do ministro Gilmar Mendes.

Bretas não tinha gostado do comentário do ex-governador em audiência sobre notícia publicada em jornal, a de que sua família tinha negócios no ramo das bijuterias finas.

Os juízes esperaram baixar a poeira da decisão de Gilmar Mendes, e agiram em sentido contrário, colocando o ex-governador no cárcere do fundador da Lava Jato. No final, prevaleceu a vontade de Bretas.

O pretexto para a transferência foi regalias que Cabral teria na prisão no Rio de Janeiro. E a transferência foi feita com requintes de sadismo, vingança mesmo.

Agora, um dia depois de Moro decretar a prisão de Lula, Paulo Preto é preso. Coincidência? Não creio. Paulo Preto teve ligações fortíssimas com José Serra e Aloysio Nunes Ferreira, quando podia, em nome deles, arrancar dinheiro de empreiteiras que faziam estradas para a estatal DERSA em São Paulo, da qual era diretor.

Mas hoje Paulo Preto é um zumbi no PSDB. Sua carcaça serve exatamente para isso: para confirmar a farsa que a Justiça Federal protagoniza com o único objetivo de tentar legitimar a prisão do presidente da república mais popular da história.

A Lava Jato não tem nada que se pareça com Justiça. É um grupo de justiçamento, que persegue lideranças do campo popular, que nasceu da incapacidade da elite brasileira de derrotar Lula nas urnas.

Paulo Preto está sendo usado como moeda de troca na prisão de Lula. É mais um capítulo da farsa que setores do Judiciário escrevem, sob olhar bestializado da população, para usar a expressão do jornalista Aristides Lobo para definir a proclamação da república.

Quem vai dar um basta nesta safadeza?