Privacidade? Moraes proíbe drones na região da casa de Bolsonaro e permite abate

Atualizado em 28 de março de 2026 às 12:46
Bolsonaro tentando brincar com cachorros. Foto: reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o uso de drones em um raio de 100 metros da residência de Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária temporária. A decisão também autoriza a apreensão imediata dos equipamentos e a prisão em flagrante dos operadores em caso de descumprimento.

A medida foi adotada após a Polícia Militar do Distrito Federal relatar a presença de aeronaves remotamente pilotadas nas proximidades do imóvel, localizado na região do Jardim Botânico.

Segundo a PMDF, drones sem autorização foram flagrados sobrevoando a casa de Bolsonaro, o que levou à realização de uma operação para identificar os responsáveis.

Policiais do Batalhão de Aviação Operacional usaram drones da própria corporação para monitorar a área e tentar localizar os pontos de origem dos equipamentos. Com base nas informações coletadas, equipes em solo foram enviadas aos locais indicados para buscar os operadores dos aparelhos.

Na decisão, Moraes destacou que o uso de drones precisa seguir as regras estabelecidas por órgãos como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

As normas impõem limites para voos em áreas habitadas, incluindo a distância mínima de 30 metros de pessoas e edificações. Para o ministro, o sobrevoo irregular em áreas residenciais pode atingir direitos fundamentais e também gerar riscos à segurança.

Moraes afirmou que a utilização desses equipamentos perto de residências pode comprometer a intimidade e a vida privada dos moradores, além de representar ameaça à integridade física de quem está no local.

Segundo ele, a prática pode até configurar crime de violação de domicílio e atentado contra a segurança do transporte aéreo. A decisão reforça o entendimento de que o monitoramento indevido da casa do ex-presidente extrapola os limites permitidos pela legislação e pelas normas que regulam o espaço aéreo.

Bolsonaro está no imóvel porque passou a cumprir prisão domiciliar após receber alta hospitalar. A medida tem duração inicial de 90 dias e inclui o uso de tornozeleira eletrônica para monitoramento. Nesse contexto, a movimentação de drones sem autorização nas proximidades da residência acendeu o alerta das autoridades de segurança do Distrito Federal, que passaram a acompanhar a situação de forma mais rígida.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.