Procurador bolsonarista defendeu estudo da Prevent Senior e abriu inquérito contra sociedade científica que criticou cloroquina

O procurador Ailton Benedito

Além da família Bolsonaro, o estudo da Prevent Senior favorável ao uso da cloroquina para covid-19 foi defendido pelo procurador bolsonarista Ailton Benedito, do Ministério Público Federal de Goiás.

Um dossiê que está com a CPI aponta que a operadora ocultou mortes de pacientes que participaram desse levantamento realizado para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina e ao zinco, no que pode ser o maior escândalo médico da história do Brasil.

Documentos apontam que a rede obrigava médicos a prescreverem o “kit covid” a infectados ou não pela doença como teste. Eles também eram obrigados a trabalhar mesmo infectados e sem usar máscaras.

Nove pessoas morreram durante a pesquisa, mas os autores só mencionaram duas mortes.

Em abril de 2020, Benedito escreveu o seguinte no Twitter: “O G1 está contrariado porque Prevent Senior orienta prescrição de cloroquina para qualquer paciente com mais de 70 anos que estiver com sintomas de febre. O G1 prefere que os médicos neguem tratamento a idosos e esperem que morram para satisfazer ao jornalismo de necrotério?”

A postagem viralizou com 11,7 mil curtidas. 

“Constitui violação hedionda à dignidade humana, beirando a prática de homicídio doloso e crime contra a humanidade, negar tratamento com as terapêuticas disponíveis, que podem salvar vidas, a pessoas que reconhecidamente integram os grupos mais vulneráveis ao coronavírus”, completou.

Militância de extrema-direita

Apologeta do “tratamento precoce”, Benedito declarou guerra à Sociedade Brasileira de Infectologia, SBI, por ter se manifestado contra a propaganda cloroquinista do governo.

O MPF-GO pediu explicações à SBI e que a entidade explicasse por que discordava das orientações do Ministério de Pazuello.

Houve uma troca intensa de ofícios entre ambas as partes. No dia 24 de fevereiro deste ano, o MPF-GO divulgou uma nota técnica de 117 páginas favorável ao tratamento precoce assinada, entre outros, pelos infectologistas Ricardo Ariel Zimerman (acusado pela CPI de fazer parte do “gabinete paralelo” da Saúde) e Francisco Eduardo Cardoso, que mantém um canal no Youtube no qual questiona uma série de medidas adotadas no combate à pandemia, principalmente o isolamento social.

Ex-secretário de Direitos Humanos e Defesa Coletiva do MPF, Benedito ficou famoso pela militância de extrema-direita como tuiteiro. Em 2014, abriu sindicância para apurar uma cascata sobre recrutamento ideológico de menores brasileiros pela Venezuela.

Anunciou em suas redes que está processando uma agência de checagem que o indicou como um dos principais propagadores de conteúdo sobre cloroquina. Ele está processando o DCM, também. 

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