Procuradora Tessler foi humilhada por Moro e ninguém vai defendê-la? Por Moisés Mendes

A procuradora Laura Tessler (Divulgação)

PUBLICADO NO BLOG DE MOISÉS MENDES

POR MOISÉS MENDES

As entidades que falam em nome dos procuradores federais irão defender a colega Laura Tessler das ofensas desqualificadoras de Sergio Moro, que a considerava uma péssima acusadora quando participava de interrogatórios?

Não foi Deltan Dallagnol, o chefe da procuradora, que a depreciou em mensagens agora reveladas pelo Intercept. Foi o juiz que não deveria ter nenhuma posição de comando no Ministério Público, mas que agia como se fosse chefe de Dallagnol e de toda a força-tarefa da Lava-Jato. Moro se considerava chefe e orientador das condutas de Laura.

O Ministério Público permitirá que uma procuradora seja exposta ao ridículo pelo agora ex-juiz, que não se lembra de mais nada?

As procuradoras não irão se manifestar em defesa da colega, que logo depois da avaliação desqualificadora de Moro foi substituída no dia do interrogatório de Lula? Três homens foram escalados. Nenhuma mulher.

Pela avaliação do juiz, que teve a concordância de Dallagnol, as mulheres não sabem perguntar? Interrogar um ex-presidente seria tarefa para machos, mesmo que Laura tivesse posições fortes sobre Lula, a quem se referiu, em diálogos divulgados pelo Intercept, como um “cara” capaz de fazer palanque até na cadeia, se fosse entrevistado por jornalistas que estavam à espera de autorização da Justiça para ouvi-lo.

Os juízes, depreciados por Moro no depoimento no Senado, quando disse que todo magistrado age como ele agia em Curitiba, reagiram em nota da Associação Juízes para a Democracia. Os juízes devolveram a Moro as ofensas do ministro aos ex-colegas.

As entidades dos procuradores ficarão em silêncio? Nem o espírito de corpo, tão presente em momentos como esse, vai se manifestar em defesa da dignidade de membros do Ministério Público que atuavam em tarefa especial e, pelo que se sabe agora, sob o comando de Sergio Moro?

Se o silêncio persistir, ficará consagrada a percepção geral, que muito agrada a extrema direita, de que o juiz foi o chefe de fato do Ministério Público na Lava-Jato.

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