
Seis procuradores federais de Minnesota renunciaram aos cargos após discordarem da pressão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para que investigassem a viúva de Renee Nicole Good, morta durante uma operação do ICE em Minneapolis. A informação foi divulgada pelo The New York Times e revela um racha dentro da estrutura federal diante da condução do caso. Funcionários também se opõem à decisão do Departamento de Segurança de investigar a viúva em vez do oficial que efetuou os disparos.
Entre os demissionários está Joseph H. Thompson, 47 anos, conhecido por investigar grandes fraudes no estado e que, segundo o jornal, deixou o posto por divergir do Departamento não apenas sobre a linha adotada, mas também por impedir que autoridades estaduais participassem da apuração do tiroteio.
Também renunciaram Harry Jacobs, Melinda Williams e Thomas Calhoun-Lopez, que optaram por não detalhar publicamente os motivos.
O Departamento de Justiça não respondeu aos pedidos de comentário. Renee, que deixa a esposa e três filhos, foi morta na quarta-feira (7) por um agente do ICE, em circunstâncias que motivaram forte repercussão após a divulgação de vídeos da abordagem.
As imagens mostram Renee conversando com agentes momentos antes de ser baleada. No vídeo, registrado por um agente de imigração, ela repete “está tudo bem, cara” enquanto o policial circula o veículo. “Eu não estou brava com você. Eu não estou brava com você”, afirma.
BREAKING: Alpha News has obtained cellphone footage showing perspective of federal agent at center of ICE-involved shooting in Minneapolis pic.twitter.com/p2wks0zew0
— Alpha News (@AlphaNews) January 9, 2026
Uma segunda voz, atribuída à esposa, pede que o agente mostre o rosto. Em seguida, ela diz: “Está tudo bem, a gente não muda nossa placa do carro todas as manhãs, só para você saber. Será a mesma placa quando você voltar para conversar com a gente depois. Está tudo bem. [Somos] cidadãos dos EUA. Quer vir nos pegar? Eu te diria para ir comer alguma coisa, grandalhão”.
O vídeo registra o momento em que outro agente exige que Renee saia do carro. Ele repete a ordem três vezes. A esposa tenta abrir a porta, grita algo e, na sequência, Renee dá ré, acelera e vários disparos são ouvidos.
O carro colide contra outros veículos segundos depois. A versão oficial do Departamento de Segurança Interna diz que manifestantes “violentos” teriam atropelado agentes e que “um agente do ICE, temendo por sua vida, pela vida de seus colegas e pela segurança pública, disparou em legítima defesa”. A explicação foi reproduzida pela CNN Internacional.
Nenhuma gravação divulgada até agora confirma a tese de legítima defesa. Emily Heller, testemunha do caso, declarou que imaginou que essa narrativa surgiria, mas discordou: “Não posso deixar essa narrativa de que foi defesa de si mesmo ir mais longe, porque isso absolutamente não é o que foi”.
Para o conselho municipal, Renee era uma “observadora” e estava “cuidando de vizinhos imigrantes”, segundo Jason Chavez, membro do Conselho Municipal de Minneapolis, em entrevista à ABC News.