Procuradores e diretora da 13ª Vara combinavam sigilo de denúncias

Atualizado em 5 de julho de 2023 às 22:25
Sergio Moro e Deltan Dallagnol posando para foto sorrindo e fazendo sinal de "joia"
Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Foto: Reprodução

Os procuradores da falecida “lava jato” do Paraná e a diretora da 13ª Vara Federal de Curitiba combinavam quando denúncias deveriam ficar em sigilo e quando o segredo deveria ser levantado.

É isso o que indicam diálogos de 15 de dezembro de 2016 entre integrantes da autodenominada força-tarefa de Curitiba. Neles, os procuradores afirmam que precisam combinar com “Flávia” sobre o sigilo de uma denúncia contra o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral.

Flávia, segundo apurou a revista eletrônica Consultor Jurídico, é Flávia Cecília Maceno Blanco, ex-diretora de secretaria da 13ª Vara Federal de Curitiba e ex-chefe de gabinete de Sergio Moro no Ministério da Justiça. Nos diálogos, os próprios procuradores confirmam a ligação dela com a Justiça Federal ao afirmar que faziam pedidos para a “Flávia da JF (Justiça Federal)”, ainda que não a tratem pelo nome completo.

Na conversa, o procurador Athayde Ribeiro Costa disse que passou para um jornalista a informação de que Cabral seria denunciado. O grupo, no entanto, não queria que outros jornalistas tivessem acesso ao conteúdo no momento em que a denúncia fosse protocolada.

O procurador Athayde Ribeiro Costa. Reprodução

Deltan Dallagnol, então coordenador da “lava jato”, disse que, apesar de não haver sigilo nos autos, era só combinar com Flávia que o documento seria protocolado em segredo de Justiça e que ela só deveria retirar o sigilo no dia seguinte, quando os procuradores dessem a liberação.

“Mas não tem sigilo nos autos. Posso pôr, mas não tem”, disse Athayde. “Coloca sigilo. Sem problemas. Mas acerta com a Flávia”, respondeu Dallagnol.

“Falei com a Flavia. Ela vai esperar nosso sinal verde para levantar o sigilo”, falou Athayde após algumas horas. Dallagnol agradeceu: “Boa”.

Cabral foi denunciado naquele mesmo dia por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso, como planejado pelos procuradores, só passou a ser divulgado na imprensa no dia seguinte, 16 de dezembro de 2016, quando Sergio Moro aceitou a denúncia.

O juiz leu rapidamente as 76 laudas do documento: a denúncia foi oferecida às 15h25 do dia 15 e aceita às 10h50 do dia 16.

Publicado originalmente em Conjur

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