Procuradores queriam atribuir vazamento criminoso sobre a Venezuela a Tacla Durán, inimigo número 1 da Lava Jato

Dallagnol e Tacla Durán

Um diálogo da Vaza Jato publicado pela Folha de S. Paulo neste domingo mostra como agem os procuradores da Lava Jato em relação a um dos poucos que enfrentaram a força-tarefa de Curitiba, Rodrigo Tacla Durán.

No dia 22 de agosto de 2017, o procurador Paulo Galvão diz a colegas que a presença no Brasil da ex-procuradora geral da Venezuela Luísa Ortega Díaz era a oportunidade para “leakar” (vazar).

“Vcs que queriam leakar as coisas da Venezuela, taí o momento. A mulher está no Brasil”, escreveu ele em um chat.

Paulo Galvão, em diálogo anterior, havia se manifestado contrário ao vazamento da delação dos executivos da Odebrecht. Além de ilegal, já que os depoimentos eram sigilosos, o procurador havia alertado para os riscos de agravamento da tensão política no país vizinho.

Pelo jeito, tinha mudado de ideia.

A procuradora Jerusa Viecili concorda que a presença da procuradora era uma boa oportunidade:

“Vamos convidá-la para vir na FT (força-tarefa).”

Roberson Pozzobon, outro procurador da Lava Jato, entra na conversa:

“Junto com o Tacla” (provável referência a Rodrigo Tacla Durán). “E daí quando eles estiverem na sala de reunião…”

Jerusa ri:

“Hehehe”.

Só os procuradores podem dizer qual o objetivo da conversa, mas uma coisa é certa: Tacla Durán não poderia participar da reunião, já que ele já se encontrava na Espanha, sem possibilidade de extradição ao Brasil, com a recusa das autoridades espanholas de enviá-lo, como havia pedido Sergio Moro, através dos órgãos oficiais do governo federal.

O procurador podia estar brincando? Talvez.

Mas o mais provável é que já tivessem o ex-prestador de serviços da Odebrecht, acusado de ser doleiro, atravessado na garganta, e quisessem envolvê-lo no vazamento, talvez lhe atribuindo a culpa.

Um mês e meio antes desse diálogo, Tacla Durán havia dado entrevista ao El País, na Espanha, em que narrou os bastidores dos esquemas de corrupção da Odebrecht.

Algumas semanas antes, havia divulgado a um repórter da Folha de S. Paulo fraudes nas planilhas da empreiteira apresentadas pelos procuradores.

Mas ele ainda não havia detonado a maior bomba contra a Lava Jato, a denúncia de que havia sido procurado pelo advogado Carlos Zucolotto Júnior para negociar facilidades em acordo de delação premiada.

Zucolotto é amigo de Sergio e Rosângela Moro, advogado de quem já foi sócio.

Tacla Durán apresentaria, mais tarde, cópia periciada da tela do seu celular com a conversa com Zucolotto em que este pede 5 milhões de dólares por fora para conseguir condições favoráveis em um acordo de delação.

Depois da conversa, recebeu a minuta do acordo, através de um e-mail do Ministério Público Federal.

Mas, depois que não aceitou a proposta, tem sido alvo de várias denúncias, não só as que envolvem a Odebrecht.

Virou um alvo preferencial, embora não possa ser alcançado, já que, além de conseguir a negativa de sua extradição ao Brasil, obteve na Interpol o cancelamento do alerta vermelha, em razão da parcialidade de Moro.

Recentemente, Tacla Durán apresentou o documento de transferência de 612 mil dólares (cerca de 2,4 milhões de reais) para o advogado Marlus Arns, que trabalhou com Rosângela Moro em ações da massa falida da GVA, investigada pela CPI da Massa das Falências no Paraná.

Marlus e Rosângela Moro também atuaram juntos em ações de interesse das APAEs do Paraná, ela na condição de responsável pela assessoria jurídica da Federação das Associações, ele como advogado contratado.

Moro, que defendeu publicamente tanto Zucolotto quanto Marlus Arns, recusou todos os pedidos feitos por advogados nas ações da Lava Jato, inclusive as de Lula, para ouvi-lo como testemunha por videoconferência.

Esse diálogo da Vaza Jato mostra que Tacla Durán, como um dos poucos investigados que enfrentaram a força-tarefa em Curitiba, é uma obsessão dos procuradores.

 

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