Procure um advogado, Sergio Moro. Por Moisés Mendes

Sérgio Moro. (Nelson Almeida/AFP)

Sergio Moro vai conseguir, num ambiente de conturbação em todas as áreas, iniciar o salto em direção a uma carreira política que o projete como viável para 2022? É uma situação complicada.

O ex-juiz pode virar advogado de bacanas, com uma banca só para gente com dinheiro. Outra opção é ser empregado muito bem pago de uma corporação, atuando com compliance (faça a coisa certa). E a terceira alternativa é o começo da construção da carreira rumo a uma candidatura.

A banca de advocacia só exige o aluguel de uma sala em Brasília com um vaso de cristal e flores secas na entrada.

O emprego para lidar com compliance só depende de um convite, e muitas organizações gostariam de contar com seus serviços. Moro poderia ensinar como fazer grampos de acordo com a lei.

E a carreira política dependeria de um partido, para que sua candidatura nasça com base orgânica. Há partidos de direita para todos os gostos. Moro vai ser cortejado por muitos deles.

Se a aspiração for política, terá de reavaliar muita coisa. A arena é outra, pior do que a enfrentada como subalterno de Bolsonaro, e as traições são parte do negócio. E Moro estará no meio da dinheirama que brotam nos fundos partidários.

Mas há dados desfavoráveis. Começam a circular agora as notícias sobre a postura dele no Ministério: arrogante, ouvia pouco, não tinha jogo de cintura e centralizava ideias e ações. O problema é saber que ideias e ações seriam essas.

O ex-juiz terá de se acostumar a uma realidade dura para quem era paparicado quando caçador de gente da esquerda.

Passou cinco anos com uma equipe só dele numa vara especial de Curitiba. Teve mídia diária contando suas proezas. Desafiou normas, pisoteou leis e afrontou o razoável e o bom senso, ao fazer o que bem entendia para prender e obter delações.

Tinha um procurador (com 30 homens) que prestava contas a ele como se fosse seu subordinado. E flanava como justiceiro intocável.

Agora, vão aparecer mais os delitos do senhor Sergio Moro, sem a proteção política do bolsonarismo, sem foro privilegiado e sem a turma de Curitiba para defendê-lo.

Como vai aparecer bem nas pesquisas, será disputado pela direita como nome forte para 2022. Se for se desgastando, enquanto o cerco aumenta, e não conseguir se explicar, pode ser abandonado.

A direita abandonou Eduardo Cunha, Aécio, o jaburu e deve abandonar Bolsonaro, é só questão de tempo. Antes de optar por uma das três carreiras, Moro vai precisar de um advogado.

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