Professor da USP faz saudação a Hitler no Facebook em discussão em que defendia Bolsonaro. Por Lucas Antonio e Vinícius Segalla

Professor escreve saudação nazista a Adolf Hitler no Facebook. Foto: Reprodução/Facebook

Um professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP em Ribeirão Preto (FEA-RP) que defendia Jair Bolsonaro em uma discussão com colegas em uma rede social enviou uma saudação nazista (Heil, Hitler!) àqueles que discordavam de seu argumento. A reação de seus colegas foi de pronta indignação, e a mensagem foi rapidamente apagada, mas os próprios participantes do debate trataram de fazer uma cópia.

O docente em questão é Ricardo Luis Chaves Feijó, autor de dois livros que abordam o período histórico em que a Alemanha esteve sob o domínio do Partido Nacional Socialista, nas décadas de 1930 e 1940, como ele mesmo explica ao justificar sua mensagem. Ao DCM, ele afirmou que sua frase estava “ironizando a paranóia de pensar que todos os que votam em Bolsonaro são nazistas. Paranóia alimentada pelo Ciro Gomes, que chamou o capitão de nazista filho da puta.”

“Eu não acreditei. Estamos em 2018, não era para alguém ter falado um negócio desses” constata um aluno da faculdade, que não quis se identificar. “Fiquei extremamente abalado. É algo que ficaria chocado se estivesse falando sério e também se ele estivesse brincando. Não se brinca com nazismo, foi algo que causou o sofrimento de milhões de pessoas e é deprimente ouvir isso de um professor”.

Já o professor Feijó disse que seu comentário não foi nada mais do que “um tolo deslize”. “Jamais apoiaria nada relacionado ao nazismo. Sou muito amigo dos judeus e detesto totalitarismo e nazismo. Tenho até um livro de mil páginas sobre a salvação dos judeus do nazismo, ‘A Salvação Pela Máquina do Tempo’”, afirmou ele, referindo-se a seu romance de viagem temporal em que uma pessoa do presente volta ao período nazista na Alemanha para impedir o holocausto. O professor ressaltou também que, no campo da economia, é um antagonista pleno do nazismo, que ele considera uma ideologia de esquerda. Ainda de acordo com o docente, sua trajetória como “pensador liberal e libertário, autor de vários livros” serve para mostrar que não tem nem nunca teve qualquer simpatia pelo nacional socialismo alemão.

Procurada pela reportagem, a FEA-RP afirmou, em nota, que não apresentaria um parecer sobre o ocorrido antes de uma apuração de fatos dentro da própria instituição, ressaltando a possibilidade de um possível novo contato assim que o caso for discutido com a diretoria da faculdade.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!