Projeto de poder: acordo com bolsonaristas prevê reeleição de Alcolumbre à presidência do Senado

Atualizado em 30 de abril de 2026 às 11:28
Davi Alcolumbre, presidente do Senado. Foto: Wilton Junior/Estadão

A articulação que levou à derrota de Jorge Messias, indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF), passou por um compromisso da direita e do Centrão de apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado no biênio 2027/2028.

Segundo o Metrópoles, relatos de bastidores indicam que o presidente do Congresso consolidou apoio entre setores que já têm maioria na Casa e pretendem ampliar esse domínio a partir do próximo ano. A eleição para o Senado é considerada estratégica porque cabe aos senadores analisar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

Alcolumbre vinha segurando todas as solicitações nesse sentido, mas a movimentação em torno da rejeição de Messias foi interpretada como uma demonstração de que sua posição pode mudar conforme o ambiente político. O senador já presidiu o Congresso entre 2019 e 2021 e voltou ao comando da Casa em mandato que termina em fevereiro de 2027. A reeleição é permitida porque se trata de uma nova legislatura.

O atual mandato consolidou sua força interna. Alcolumbre foi eleito por 73 dos 81 senadores, com votos que foram da esquerda à direita, passando pelo Centrão. O próprio governo Lula apoiou sua recondução ao comando da Casa.

No Senado, sua influência se apoia na capacidade de atender demandas dos colegas por cargos, emendas e outros interesses políticos. Na lógica do “servir bem para servir sempre”, a derrota imposta ao Planalto reforçou sua posição diante de um governo desgastado e de uma base parlamentar fragmentada.

Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A movimentação ocorre no mesmo contexto em que Alcolumbre deve barrar a instalação da CPI do Banco Master. Para a comissão sair do papel, o requerimento precisaria ser lido na sessão do Congresso marcada para esta quinta-feira (30), a primeira desde o protocolo do pedido. Segundo congressistas ouvidos pela Folha, o presidente do Congresso quer evitar o tema.

Em troca, Alcolumbre pautou o veto de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz penas de Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A tendência é que o veto seja derrubado pelo Congresso.

A negociação foi conduzida por Alcolumbre e pelo relator do projeto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), para que a votação ocorra sem a leitura do requerimento da CPI do Master. A cúpula do Congresso busca evitar a repercussão do caso, que pode expor lideranças políticas com relações com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master.

No acordo, os bolsonaristas ganham com a não instalação de uma comissão que poderia atingir ministros do STF e com a votação da Dosimetria. Alcolumbre, por sua vez, reduz a tensão entre Senado e Supremo e reforça seu capital político para tentar permanecer no comando da Casa por mais dois anos.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.