
No sábado (28), um grande protesto contra a guerra no Irã, realizado na Praça Habima, em Tel Aviv, foi marcado por uma brutal repressão policial que resultou em treze prisões.
Milhares de manifestantes, muitos deles novos no movimento, se uniram na maior manifestação desde o início do conflito, mas enfrentaram uma abordagem agressiva das forças de segurança israelenses, gerando um debate acirrado sobre o uso excessivo de força e a liberdade de expressão no país.
Segundo o jornal Haaretz, O que era uma manifestação pacífica rapidamente se transformou em confrontos violentos quando as forças de segurança israelenses, incluindo a polícia e a Border Police, tentaram dispersar os manifestantes.
Sob a justificativa de “garantir a segurança”, a polícia usou violência física contra os protestantes, muitos dos quais, como o ativista Itamar Greenberg, relatam terem sido vítimas de abusos como espancamentos e sufocamento durante a detenção.
“A violência foi insana e extraordinária. A polícia me bateu e me sufocou dentro da viatura”, disse Greenberg, um dos primeiros a ser liberado após a prisão. Kalanit Sharon, do movimento Pink Front, também compartilhou sua experiência. “Nos surpreendeu muito. O ato de dispersar todos foi violento desde o início. Houve uma escalada de empurrões e depois prisões”, disse.
O movimento de protesto em Tel Aviv tem se fortalecido ao longo do tempo, com uma crescente participação de cidadãos que se sentem desconectados da liderança do governo e da guerra em curso.
Muitos desses manifestantes argumentam que não podem permanecer em silêncio enquanto a confiança nas autoridades e nos líderes da guerra desaparece. “Não confio nos que estão me guiando para esse caminho. Nós, manifestantes, não concordamos em tudo, mas estamos lutando por causas comuns, e isso é emocionante”, disse Sharon.
המשטרה מפנה בכוח מפגינים נגד המלחמה בתל אביב.
צילום: יאיר פולדש pic.twitter.com/jCnRw0rtcH— הארץ חדשות (@haaretznewsvid) March 28, 2026
O contexto da repressão policial, somado às mortes e à destruição da guerra no Irã, gerou uma onda de indignação, especialmente entre os jovens, que se sentem marginalizados e silenciados pelo governo. “A violência foi completamente irracional e ilógica. Isso só faz com que você queira participar mais, ao ver todas as pessoas incríveis que estão lá”, relatou um jovem manifestante que foi preso.
Por parte da polícia, a justificativa para os atos de violência foi que a manifestação violava as diretrizes de segurança do Home Front Command, que emitiu alertas sobre o risco à vida humana durante a realização do protesto. “Havia risco real para a vida humana”, disseram as autoridades. O protesto também não havia sido previamente coordenado com a polícia, e as autoridades alegaram que os manifestantes desobedeceram às ordens, o que levou à prisão dos “perturbadores da paz”.
Os protestos em Tel Aviv refletem uma crescente insatisfação com o governo de Israel, particularmente no que diz respeito à guerra com o Irã. Em um momento de crescente repressão, a população continua se mobilizando, apesar da violência e das tentativas de silenciar as vozes dissidentes. Como disse Greenberg, “Este é um evento crucial. Não sabemos qual será o impacto, mas não temos visto nada parecido em meses”.