
Centenas de depositantes e aposentados foram às ruas de Assunção, no Paraguai, na terça-feira (3), para exigir a devolução integral dos recursos mantidos no Ueno Bank. Os protestos ocorreram um dia após o Banco Central do Paraguai assumir o controle da instituição, enquanto oito dirigentes e ex-dirigentes do banco foram presos.
O grupo se concentrou diante do Panteón Nacional de los Héroes, na área central da capital, informou o jornal paraguaio ABC Color. A manifestação começou de forma pacífica, mas houve correria e confrontos após parte dos participantes tentar seguir em direção à sede do Congresso e encontrar bloqueio da Polícia Nacional, que reagiu com truculência.
Os choques se espalharam por pontos da região histórica de Assunção. Policiais contiveram o avanço dos manifestantes, que cobravam uma solução para os depósitos temporariamente indisponíveis desde a abertura do procedimento de resolução do banco.
Outro grupo se reuniu diante da Mburuvicha Róga, residência oficial do presidente Santiago Peña, do Partido Colorado. Os participantes cobraram do governo a restituição de valores aplicados pelo Instituto de Previsión Social e por fundos de aposentadoria na instituição financeira.
ATENÇÃO: Protestos massivos eclodem na capital do Paraguai, Assunção, após o fechamento do maior banco privado do país por falta de liquidez. Manifestantes pedem a queda do presidente Santiago Peña e entram em confronto com a polícia. Milhões de pessoas ficaram com dinheiro bloqueado, inclusive aposentadorias.
— Renato Souza (@reporterenato) November 4, 2026
Manifestantes cobram garantia do Estado para os depósitos
Cartazes exibidos no ato pediam uma garantia pública para a devolução completa dos valores. “O Estado deve garantir 100% dos fundos”, dizia uma das mensagens levadas pelos manifestantes à frente da residência presidencial.
Parte do grupo também pediu que Peña responda judicialmente pelo caso e seja preso. Houve atritos e empurrões entre manifestantes e policiais no entorno da residência oficial.
Na segunda-feira (2), o Banco Central do Paraguai decidiu por unanimidade iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank. A autoridade monetária constatou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do patamar mínimo previsto pela legislação.
O Ueno Bank, banco digital que reunia cerca de 2,9 milhões de clientes, suspendeu suas operações com a intervenção. O Fundo de Garantia de Depósitos do país cobre até 228,3 milhões de guaranis, cerca de R$ 210 mil, por depositante e por instituição financeira.
A Fiscalía ordenou a prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes, entre eles o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez. Em meio à crise, Peña pediu a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Cavallo, ex-dirigente do Ueno Bank, que deixou o cargo na terça-feira (3).