Prova do MEC leva à punição de 30% dos cursos de Medicina no país; entenda

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 16:48
Imagem ilustrativa. Foto: Divulgação

Mais de 100 cursos de Medicina receberam avaliação insatisfatória no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, conforme balanço divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Inep, em Brasília.

As graduações que ficaram com notas 1 e 2 passarão a sofrer punições, como restrições no Fies e bloqueio para abertura de novas vagas, dentro de um pacote de medidas de supervisão do ensino médico. O Enamed é aplicado anualmente para medir o desempenho dos estudantes e a qualidade da formação oferecida pelas faculdades de Medicina.

Nesta edição, 351 cursos foram avaliados em todo o país, e cerca de 30% ficaram na faixa considerada insatisfatória. Antes da divulgação oficial, uma entidade que representa universidades particulares tentou barrar a publicação dos dados na Justiça, mas não obteve sucesso.

Os resultados mostram que 24 cursos receberam conceito Enade 1, o mais baixo da escala, enquanto outros 83 ficaram com conceito 2. Segundo o Inep, aproximadamente 89 mil estudantes participaram da avaliação, incluindo alunos concluintes e de outros semestres da graduação.

Entre os formandos, cerca de 39 mil estudantes próximos de ingressar no mercado de trabalho, apenas 67% alcançaram o chamado “resultado proficiente”, índice que indica conhecimento considerado suficiente. Quase 13 mil concluintes, portanto, não atingiram o nível esperado de desempenho.

A análise por tipo de instituição revelou diferenças expressivas. Cursos de instituições públicas municipais concentraram os piores resultados, com 87,5% nas faixas 1 e 2. As instituições privadas com fins lucrativos também apresentaram desempenho fraco, com 58,4% dos cursos nessas faixas, seguidas pelas instituições especiais, com 54,6%.

Imagem ilustrativa. Foto: Divulgação

Entre as privadas sem fins lucrativos, um terço obteve conceitos insuficientes. Já os melhores desempenhos ficaram concentrados no setor público federal e estadual. Nas universidades federais, 87,6% dos cursos alcançaram conceitos 4 e 5. Entre as estaduais, o percentual foi de 84,7%.

Instituições comunitárias e confessionais também tiveram resultados acima da média, sobretudo na faixa 4. As penalidades variam conforme a nota obtida. Cursos com conceito 2 terão redução de vagas para novos ingressantes, enquanto aqueles com conceito 1 sofrerão suspensão total da entrada de alunos.

Em entrevista coletiva, o ministro da Educação, Camilo Santana, explicou que, dos 107 cursos inicialmente listados, 99 serão efetivamente punidos, já que faculdades estaduais e municipais não estão sob gestão direta do MEC.

Segundo o ministério, oito faculdades terão suspensão total de ingressos e ficarão fora do Fies e de outros programas federais. Outras 13 terão corte de 50% das vagas, 33 sofrerão redução de 25% e 45 ficarão impedidas de ampliar o número de estudantes. As medidas permanecem válidas até a divulgação do próximo Enamed, prevista para outubro de 2026.

Camilo Santana afirmou que a política não tem caráter punitivo isolado, mas busca corrigir falhas estruturais. “É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”, declarou.

Em nota, a Associação Nacional das Universidades Particulares informou que acompanha os resultados e apontou divergências entre dados preliminares apresentados em dezembro e os números divulgados agora. A entidade afirmou que aguardará esclarecimentos técnicos do Ministério da Educação e do Inep antes de qualquer “manifestação conclusiva sobre o balanço”.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.