PSDB vive guerra interna e acusações de traição no WhatsApp com aproximação de FHC e Lula

Fernando Henrique Cardoso e Lula após almoço

O DCM reproduz a análise de um amigo cientista político:

Lula colocou definitivamente a campanha nas ruas. O movimento foi iniciado nas últimas semanas com o relato de conversas com líderes estrangeiros e entrevistas para veículos dos EUA e Europa.

Em um segundo movimento, foi a Brasília e passou a dialogar com lideranças de todos os espectros, batendo na tecla de união de todas as forças democráticas para salvar o país.

Agora, após entrevista à revista francesa Paris Match, que em sua manchete interpretou declaração de Lula como o anúncio de sua candidatura, faz sua grande jogada. Nega que tenha feito o anúncio, apenas ponderou que, se for ungido candidato, estará pronto para derrotar Bolsonaro.

Algumas jogadas sinalizam que Lula pode estar no caminho certo.

Enquanto João Doria encontra resistência dentro do PSDB e importantes lideranças tucanas históricas lançam sinais em direção a Lula, reconhecendo no petista condições para a retomada do país.

“Não sou lulista. Se tiver terceira solução, melhor. Mas ele [Lula] sente o momento. O presidente atual do Brasil não sente o momento, não sente nada. O outro [Lula] tem suficiente esperteza para sentir”, disse FHC em debate online promovido pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa.

“Acho melhor terceira via, mas, se não houver, quem não tem cão caça com gato. E, no caso, o gato não é tão feroz, não é uma onça. É um gato pacificado, já tem experiência. A vida ensina. Pelo menos alguns aprendem. É melhor apostar”.

Lula, em suas redes sociais, retribuiu o gesto de aproximação: “Fico feliz que ele tenha dito que votaria em mim e eu faria o mesmo se fosse o contrário. Ele [FHC] sempre foi um intelectual e sabe que não dá para inventar uma candidatura”.

Não bastasse FHC e os sinais trocados que saíram do encontro, Geraldo Alckmin, desafeto declarado de João Doria, tem encontro agendado com Fernando Haddad para um debate na próxima semana, promovido pelo Instituto Política Viva, idealizado e encabeçado pela socialite Rosângela Lyra.

Matéria do Estadão repercute o almoço que reuniu FHC e Lula dentro do ninho tucano e expõe o descontentamento de suas lideranças atuais, como Bruno Araújo e Aécio Neves, e ouve a manifestação de dois pré-candidatos, Tasso Jereissati e Eduardo Leite.

Os críticos apontam que o PSDB deve ter nome próprio para a disputa do Planalto e que o sinal de FHC é pessoal e democrático. Avaliam que apenas Lula ganha com a oportunidade, mas evitam criticar publicamente FHC com maior contundência, embora nos grupos tucanos de WhatsApp as críticas foram fortes.

Lula teve uma semana bastante positiva, inclusive com a divulgação de pesquisas que mostram serem reais as chances de vitória do petista ainda em primeiro turno.

Embora essa fotografia seja muito limitada ao momento atual, serve de combustível para que novos movimentos sejam lançados para consolidar esse cenário nos próximos meses (uma tarefa difícil, mas não impossível).

O PSDB luta para encontrar a via que torne o partido novamente protagonista da política nacional.
 João Doria segue sua agenda, que se divide em duas frentes: polarização com Bolsonaro e eficiente gestor ante o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Após alguns episódios em que caiu na provocação da família Bolsonaro e devolveu ataques no mesmo nível, Doria parece ter encontrado na chacota a melhor resposta as injúrias e difamações dos bolsonaristas, mas isso tende a se desgastar e ter pouco ou nenhum resultado em termos eleitorais.

Melhor seria adotar uma postura mais austera e focada na responsabilidade de homem público. Um bom exemplo é a postura do governador do Maranhão, Flavio Dino, que hoje, ao ser diretamente atacado por Bolsonaro e seus filhos, reagiu com uma simples frase: “Não tenho tempo para molecagens”.

A resposta do governador maranhense parece muito mais afinada com o que se tem percebido do desejo da população.

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