PSOL lançará candidatura própria ao governo do RS se o PT ceder ao PDT, diz Pedro Ruas

Atualizado em 5 de abril de 2026 às 8:44
Juliana Brizola

O PDT do Rio Grande do Sul pressiona o PT para definir rapidamente se apoiará uma eventual candidatura de Juliana Brizola ao governo do estado, enquanto setores do PT avaliam a possibilidade de recuo da candidatura de Edegar Pretto para compor como vice.

Diante dessa articulação, o PSOL já sinaliza que poderá lançar candidatura própria ao Palácio Piratini. O nome mais provável é o do vereador de Porto Alegre e ex-deputado estadual Pedro Ruas, que comentou a situação em entrevista ao DCM.

“É concreto que apoiamos e fizemos uma aliança com PT e sua federação tendo o PT como cabeça de chapa. Isso é importante que seja ressaltado para que se entenda o que está acontecendo”, diz.

Ruas destacou que a aliança com o PT foi construída com base em afinidade política e histórica, especialmente com Edegar Pretto, e reforçou o objetivo comum de eleger um governo de esquerda no estado.

“Isso traz uma questão ideológica importante: nossa meta é eleger um governador de esquerda. Fui deputado com Edegar no passado, candidato a vice dele na última eleição ao governo do Estado e temos essa história construída com muita afinidade”, afirma.

“Se isso se confirmar, o que será muito lamentável, colocaremos candidatura própria, uma candidatura de esquerda e diante desse quadro é muito provável que PSOL aponte meu nome. Não é certo que seja eu, mas é possível e provável. Não fujo de uma responsabilidade dessa. Nunca fugi de luta importante. Se essa for a necessidade, com honra vou aceitar. Não coloquei meu nome para concorrer a nada nesse pleito, mas não posso me omitir se for essa a obrigação a ser cumprida.”

Nos bastidores, há correntes na direção nacional do PT que avaliam que uma candidatura de Juliana Brizola poderia ampliar as chances de enfrentar a direita no estado. Ainda assim, Edegar Pretto mantém sua pré-candidatura ao governo.

“Lula, obviamente é e será nosso candidato nacional. Mas, sem Edegar, no formato atual, não vamos apoiar uma candidatura que tenha o PDT como cabeça de chapa por divergência ideológica e política”, diz.

“O PDT está na base do governo Eduardo Leite. O PDT esteve na privatização da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) e CORSAN (Companhia Riograndense de Saneamento). Esse PDT também esteve no governo de José Ivo Sartori antes do governo Leite. Sartori do MDB, do Sartonaro. E essas situações entre outras não representam a posição do PSOL. Sem demérito ou desrespeito ao PDT. Fizemos aliança com PT e precisamos que isso esteja mantido para nos mantermos nela.”

Caso a candidatura própria se confirme, o PSOL deve lançar uma chapa pura, com candidato a vice do próprio partido — embora ainda não haja nomes definidos. Por outro lado, se o PT mantiver Edegar Pretto como cabeça de chapa, o PSOL tende a preservar a aliança já estabelecida e abrir mão de candidatura própria.

Thiago Suman
Jornalista com atuação em rádio, TV, impresso e online. É correspondente do Daily Mail, da Inglaterra, apresentador do DCMTV e professor de filosofia e sociologia, além de roteirista de cinema e compositor musical premiado em festivais no Brasil e no mundo