PT assina pedido de CPMI de Lulinha e cobra oposição por investigação de Flávio

Atualizado em 20 de outubro de 2026 às 21:52
Lulinha Flávio Bolsonaro
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Greg Salibian/Gabriela Biló/Folhapress

O PT assinou o requerimento de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) proposta pela oposição para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a empresária Roberta Luchsinger e cobra que adversários apoiem uma apuração sobre Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz.

“Nós não queremos outra postura, nós queremos a mesma postura”, afirmou Uczai. O deputado disse que lideranças governistas assinaram o pedido apresentado pela oposição para demonstrar disposição de investigar e exigiu reciprocidade em relação às suspeitas que envolvem Flávio, o financiamento do filme “Dark Horse” e as movimentações financeiras de Willer.

Segundo o parlamentar, a proposta de investigação sobre o senador e o advogado já reúne 100 assinaturas: 85 de deputados e 15 de senadores. Uczai citou apoios de PT, PCdoB, Psol, PSB, MDB, PSD e Podemos e afirmou que a oposição ainda não havia assinado os pedidos. O balanço de adesões foi informado pelo próprio líder petista.

O número permanece abaixo do mínimo necessário: 171 deputados e 27 senadores, um terço de cada Casa. Considerando a contagem apresentada, faltam 86 deputados e 12 senadores. A soma de 198 apoios não basta se a distribuição entre as Casas não for atendida. A criação também exige a leitura do requerimento em sessão do Congresso, antes da indicação dos integrantes e da instalação dos trabalhos.

O requerimento assinado por Uczai e pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana, propõe uma comissão com 16 deputados e 16 senadores e prazo de 180 dias. O objetivo é examinar dois conjuntos de fatos que já são objeto de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), sem substituir as apurações policiais.

Uma das frentes envolve o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Mensagens e áudios divulgados em maio indicam negociações de Flávio com Daniel Vorcaro para aportes de até US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época. Segundo a delação citada pela CNN, sete remessas somaram US$ 12,3 milhões e chegaram ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, em 2025. A PF investiga a origem e a destinação dos valores, inclusive a hipótese de que parte tenha custeado a permanência de Eduardo Bolsonaro no país.

A segunda frente trata da investigação sob relatoria de Alexandre de Moraes sobre negócios ligados a Willer Tomaz. O procedimento chegou ao STF em outubro e tem origem em uma apuração sobre plataformas de pagamento e apostas. Willer também foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos em benefícios do INSS. Essa vinculação não estabelece, por si só, participação de Flávio nas fraudes contra aposentados.

O requerimento parlamentar cita o cadastro de Flávio como usuário master de uma conta da Alcazar Holdings, da qual Willer é o único sócio formal, e um pedido de desvinculação enviado ao banco em 22 de maio de 2025. Também menciona viagens do senador e de familiares custeadas pela Cathedral Holding e movimentações de aproximadamente R$ 130 milhões, entre março e maio de 2025, em uma conta ligada ao advogado. São elementos apresentados como fundamentos para investigar uma eventual relação econômica entre os dois.

Outro ponto mencionado é a participação da Alcazar em um jatinho do qual Vorcaro também foi cotista e que transportou Flávio entre os Estados Unidos e o Brasil em janeiro de 2025. O pedido pretende esclarecer as relações financeiras entre o senador, Willer, a holding e o ex-controlador do Master.

Flávio nega irregularidades e vínculo financeiro com empresas de Willer. O advogado também nega ilegalidades e sustenta que a amizade entre os dois não constitui crime. As comissões defendidas pelos parlamentares ainda dependem das etapas formais para serem criadas e instaladas.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!