PT avalia expulsão de vereador preso em operação contra suposto esquema do PCC

Atualizado em 25 de junho de 2026 às 18:36
O vereador Senival Moura. Foto: Divulgação

O Diretório Municipal do PT de São Paulo informou nesta quinta-feira (25) que encaminhou ao Conselho de Ética o caso do vereador Senival Moura, preso temporariamente durante a Operação Última Parada, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

A sigla afirmou que analisa a adoção de “medidas disciplinares” diante das investigações que apuram suposto envolvimento do parlamentar com o PCC. Em nota, o diretório afirmou que o procedimento interno poderá resultar em “medidas disciplinares cabíveis”, incluindo afastamento cautelar e a “eventual expulsão do filiado”.

O partido acrescentou que o processo observará “amplo direito de defesa, o contraditório e o devido processo legal”. O PT também declarou que não compactua com “qualquer prática ilícita” e defendeu a apuração completa do caso.

Na mesma manifestação, destacou que “todos os fatos devem ser rigorosamente apurados pelas autoridades competentes”. Ainda na nota, o diretório reiterou apoio às ações de combate ao crime organizado e citou a Operação Carbono Oculto.

“O Diretório Municipal do PT de São Paulo reitera seu compromisso intransigente com o combate ao crime organizado, apoia ações das forças de segurança, como a Operação Carbono Oculto, e defende o fortalecimento dos instrumentos de enfrentamento às organizações criminosas, entre eles a aprovação, pelo Senado Federal, da PEC da Segurança Pública proposta pelo Governo Federal.”

O presidente da Comissão do Idoso da Câmara de SP, Senival Moura. Foto: Divulgação

Senival Moura foi preso temporariamente na Operação Última Parada. Segundo a Polícia Civil e o MP-SP, ele é investigado por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião.

As investigações apontam que o vereador integrava o núcleo investigado enquanto presidia a Comissão de Trânsito e Transporte da Câmara Municipal de São Paulo. Conforme o inquérito policial, o escritório político do parlamentar teria sido utilizado para armazenar planilhas informais de controle da frota e dos fluxos de caixa da empresa.

A defesa dele afirmou ter recebido a notícia da prisão com indignação. Os advogados sustentam que a decisão ocorreu em um “momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral”. De acordo com a Polícia Civil, Moura chegou a ser jurado de morte pelo PCC após um suposto desvio de dinheiro ocorrido em 2020, mas teria sido posteriormente “perdoado” pela facção.

Além da prisão do vereador, a Justiça expediu outros quatro mandados de prisão temporária. Também foram cumpridos 103 mandados de busca e apreensão na capital paulista, na Grande São Paulo e em Extrema (MG).

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.