PT chama green card de Eduardo Bolsonaro de “vergonha”; Flávio evita comentar

Atualizado em 21 de julho de 2026 às 17:26
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Foto: Divulgação

A concessão do green card ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu uma nova frente de disputa política entre aliados do presidente Lula e integrantes do bolsonarismo. Enquanto dirigentes petistas criticaram a medida, a campanha do senador Flávio Bolsonaro optou por não comentar o assunto. Com informações da Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo.

A informação sobre a emissão do Cartão de Residência Permanente dos Estados Unidos, conhecido como green card, foi divulgada na segunda-feira (20). O documento autoriza seu titular a morar e trabalhar no país por tempo indeterminado e garante uma série de direitos previstos pela legislação norte-americana.

Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou a decisão como “é, de fato, uma grande vergonha”. Na avaliação dele, Eduardo Bolsonaro teria sido beneficiado em razão da atuação política relacionada ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo Marco Aurélio, o ex-deputado “recebeu um prêmio pelo Tariflávio”, expressão utilizada por adversários do senador Flávio Bolsonaro para relacionar sua pré-candidatura ao anúncio das tarifas feito pelo governo Trump.

O advogado também afirmou: “O green card é apenas mais uma confirmação de tudo quanto já havíamos dito. Bolsonaro e sua família seguem boicotando o Brasil, e devem responder por traição à Pátria. Com rigor e nos termos da lei”.

O Cartão de Residência Permanente, comumente conhecido como green card, de Eduardo Bolsonaro. Foto: Reprodução

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), ex-líder do partido na Câmara, também comentou a concessão do documento. Para o parlamentar, Eduardo Bolsonaro foi recompensado pela atuação em defesa dos interesses norte-americanos. “Bom menino do Trump. Foi a recompensa por defender tanto os interesses dos EUA”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “O próximo passo é pedir cidadania americana abrindo mão da brasileira”.

Apesar da repercussão, Flávio Bolsonaro não fez manifestações públicas sobre o assunto. Integrantes da coordenação de sua campanha também preferiram não comentar o caso.

Desde o anúncio do aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o senador tem buscado atribuir a responsabilidade pela medida ao governo Lula, sustentando que as negociações conduzidas pelo Palácio do Planalto não foram suficientes para evitar a decisão americana.

Nos bastidores do bolsonarismo, aliados de Eduardo Bolsonaro avaliam que a estratégia de silêncio não foi a mais adequada. De acordo com esse grupo, a obtenção do green card deveria ser tratada como uma conquista política e explorada publicamente pelo campo conservador.

O próprio Eduardo compartilhou reportagens sobre o tema em seu perfil no Instagram e escreveu: “Agora complica para o regime tentar me prender como fez com o [ex-delegado Alexandre] Ramagem”. A manifestação ocorreu em meio à repercussão da concessão do documento.

A emissão do green card acontece em um momento de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Na semana passada, Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao justificar a medida, o presidente norte-americano voltou a mencionar uma suposta perseguição do Estado brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Eduardo também responde a desdobramentos judiciais no Brasil. No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo.

Segundo a Corte, ficou comprovado que o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para tentar interferir no julgamento da ação penal em que Jair Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado. De acordo com a denúncia, ele afirmou ter realizado gestões para que o governo Trump adotasse sanções contra autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país.

O blogueiro Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro e residente nos Estados Unidos, também comentou a concessão do documento. “Eduardo agora está protegido pela Constituição americana”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Qualquer ação de perseguição ou censura, por exemplo, contra ele, pode se inserir no mesmo contexto das ações que já levaram a sanções dos EUA ao Brasil”.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.