PT debocha de “tesoura” da campanha de Flávio e cita gastos do clã Bolsonaro

Atualizado em 4 de janeiro de 2026 às 7:53
Flávio Bolsonaro escolheu a tesoura para simbolizar sua pré-campanha à Presidência. Reprodução Instagram

A escolha de uma tesoura como símbolo da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro provocou reação imediata no PT. O presidente nacional do partido, Edinho Silva, afirmou que o gesto não impressiona e ironizou o discurso de corte de gastos adotado pelo senador. As informações são da Folha de S. Paulo.

“Tem que começar usando a tesoura com a família dele”, disse Edinho. Em seguida, citou diretamente o deputado federal Eduardo Bolsonaro. “O Eduardo Bolsonaro passou meses nos Estados Unidos recebendo sem trabalhar, por exemplo”, afirmou o dirigente petista.

A tesoura escolhida por Flávio Bolsonaro é uma referência à promessa de reduzir despesas e privilégios no setor público. A estratégia busca dialogar com o símbolo da motosserra usada por Javier Milei durante a campanha que o levou à Presidência da Argentina.

Edinho Silva, presidente nacional do PT, durante ato em defesa da democracia em São Paulo – Rubens Cavallari/Folhapress

Nos bastidores do PT, porém, a avaliação é de que a comparação não se sustenta no Brasil. A leitura interna do partido é que Milei se apresentou como um nome fora da política tradicional, enquanto Flávio Bolsonaro e outros integrantes de sua família acumulam mandatos eletivos e longa exposição na vida pública.

Esse histórico, segundo dirigentes petistas, dificulta a adesão do eleitorado a um discurso de ruptura. Para o partido, a simbologia da tesoura esbarra na trajetória recente da família Bolsonaro no comando do governo federal.

Edinho Silva reforçou a crítica ao mencionar gastos da gestão de Jair Bolsonaro. “Esse discurso não cola, basta ver o quanto gastaram na Presidência, a conta dos cartões corporativos, por exemplo”, declarou.