
O diretório estadual do PT no Rio de Janeiro consolidou, neste fim de semana, sua estratégia para as eleições de outubro, com a definição de uma chapa ao Senado que combina tradição política, renovação e aproximação com o público evangélico. A composição será encabeçada por Benedita da Silva, tendo como suplentes o vereador Felipe Pires e o pastor e cantor Kleber Lucas.
A decisão foi tomada por unanimidade durante reunião na sede do partido, no centro da capital fluminense, e reflete um esforço de unidade interna com foco em ampliar o alcance social da legenda.
Apoio a Paes e alinhamento nacional
Além da definição da chapa ao Senado, o partido decidiu apoiar a candidatura de Eduardo Paes ao governo do estado. O movimento cria um palanque alinhado ao projeto nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um estado considerado estratégico para a disputa política nacional.
Paes, que já governou a capital por quatro mandatos, aparece bem posicionado nas pesquisas e é visto como peça-chave na articulação eleitoral fluminense.
Articulação interna e papel de Quaquá
Nos bastidores, a construção do acordo teve protagonismo do prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que conduziu negociações e promoveu concessões para garantir coesão dentro do partido.
A ausência de nomes como o ex-prefeito Fabiano Horta e a deputada estadual Verônica Lima no encontro reforçou a leitura de que a ala majoritária do PT teve papel decisivo na definição.

Kleber Lucas e a aposta no diálogo religioso
A inclusão de Kleber Lucas na chapa é vista como um movimento estratégico para ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico, que soma cerca de 5,5 milhões de pessoas no estado.
Pastor da Igreja Soul e um dos principais nomes da música gospel brasileira, Kleber acumula milhões de ouvintes nas plataformas digitais e já foi premiado com um Grammy latino. Nos últimos meses, ele intensificou sua atuação social, participando de atividades com assentados do MST, ações em favelas e mobilizações contra a intolerância religiosa.
Dentro do PT, sua presença é defendida como uma ponte entre fé, cultura e política, capaz de “furar bolhas” e reconectar o partido com setores populares.
Kleber Lucas é uma aposta pessoal do vice-presidente do PT no Rio de Janeiro, o sociólogo Samuel Braun, que também lidera dentro do partido o grupo chamado “Luta”. Samuel aposta no cantor como um nome potente para furar bolhas e resgatar conexões do PT com as bases:
“A Câmara dos Deputados e o Senado são prioridade para ter governabilidade capaz de entregar uma agenda à esquerda. No Senado, por ser majoritário, é fundamental uma chapa que dialogue com a maioria da população, centrado na clivagem capital x trabalho. Acredito que o pastor Kleber Lucas já faz essa ponte e ajudará muito na vitória da chapa”.
Felipe Pires reforça base territorial
Já Felipe Pires, vereador de primeiro mandato e líder da bancada petista na Câmara Municipal, traz força eleitoral da Zona Oeste do Rio, especialmente de Bangu, onde construiu sua base política. Ele também ocupa o cargo de secretário de Organização do partido no estado e tem trajetória ligada a Adilson Pires, seu tio.
Defesa de eleições diretas
Outro ponto aprovado pelo diretório foi a defesa de eleições diretas para o chamado mandato tampão no governo do estado, após a cassação do governador. A posição foi unânime, sob o argumento de que a escolha direta é a alternativa mais democrática para garantir participação popular.
Próximos passos
A chapa ainda será formalmente homologada no Encontro Estadual do partido, marcado para o dia 23 de maio. Até lá, o PT pretende detalhar suas estratégias eleitorais e ampliar a inserção em diferentes segmentos sociais.
A movimentação sinaliza uma aposta clara em nomes com forte inserção popular e capacidade de diálogo, combinando tradição política com novas formas de conexão com o eleitorado.
