
O PT acionou neste sábado (17) a Procuradoria-Geral da República para investigar possíveis irregularidades em postagens favoráveis ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, publicadas por perfis de fofoca nas redes sociais. O partido apresentou uma notícia de fato apontando indícios de ilícito eleitoral e ato de improbidade administrativa.
O pedido tem como base uma reportagem da revista piauí publicada na última segunda-feira (12), que relata pagamentos feitos por agências a influenciadores digitais para divulgar ações do governo paulista de forma despojada, em páginas tradicionalmente voltadas ao entretenimento.
Segundo o documento apresentado pelo PT, as postagens exaltaram medidas como a inauguração de um trecho do Rodoanel Norte, a redução do IPVA para motocicletas, cobranças contra a concessionária Enel e ações de combate ao feminicídio. Para o partido, esses temas destoam completamente do conteúdo habitual desses perfis.
A legenda sustenta que há indícios de que o enaltecimento do governador não ocorreu por iniciativa editorial espontânea, mas por meio de financiamento cuja origem e motivação ainda não estariam esclarecidas. O texto aponta que a prática pode configurar abuso de poder econômico, especialmente diante do cenário pré-eleitoral de 2026.

Na notícia de fato, o PT afirma ser necessária a apuração de eventual prática de improbidade administrativa e a identificação dos responsáveis pelo suposto esquema. O partido pede que a PGR investigue os fatos para coibir condutas semelhantes e preservar a lisura do processo eleitoral.
Procurado, o governo de São Paulo negou qualquer contratação de influenciadores ou perfis de fofoca citados na reportagem. Em nota, a gestão estadual afirmou que não houve investimento público nas publicações mencionadas.
O governo paulista declarou ainda que realiza apenas campanhas institucionais e de utilidade pública, com o objetivo de dar transparência às ações da administração e divulgar informações de interesse coletivo, sempre em conformidade com os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade e publicidade.