
O PT e a campanha de Fernando Haddad ao governo de São Paulo querem ampliar a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin no interior paulista após a nova rodada do Datafolha. A avaliação é que o ex-governador pode ajudar Haddad a reduzir a distância para Tarcísio de Freitas e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial contra Flávio Bolsonaro.
A preocupação se concentra no interior, onde o campo lulista enfrenta seu maior obstáculo no estado. Segundo o Datafolha, Lula marca 38% nessa região em um eventual segundo turno contra Flávio, que aparece com 52%. Na capital e na região metropolitana, o presidente lidera por 48% a 40%.
A dificuldade se repete na eleição estadual. Tarcísio lidera a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes com 46% das intenções de voto, contra 30% de Haddad. No interior, a vantagem do governador é mais larga: 49% a 26%. Na capital e na região metropolitana, a diferença cai para 43% a 35%.

Aliados de Haddad avaliam que a saída de Gilberto Kassab da articulação política de Tarcísio abriu uma brecha para o PT atuar junto a prefeitos. Kassab decidiu ser vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado, e a campanha petista vê espaço para Alckmin ocupar parte desse terreno por ter trânsito histórico com lideranças municipais de diferentes partidos.
Ex-governador de São Paulo, Alckmin é visto pelo PT como um nome capaz de dialogar com setores mais resistentes ao partido fora da capital. A aposta é que sua presença ajude a diminuir a rejeição a Haddad e a reforçar o palanque de Lula no maior colégio eleitoral do país.
A preocupação com São Paulo é maior, no momento, do que com Minas Gerais. Embora o campo lulista ainda não tenha definido uma candidatura no estado governado por Romeu Zema, petistas avaliam que a disputa mineira pode se tornar mais aberta. Em Minas, ganhou força o nome do deputado Patrus Ananias para representar a aliança de Lula.