“Publi”? Por que Trump recebeu delivery do McDonald’s na Casa Branca

Atualizado em 14 de abril de 2026 às 12:57
Donald Trump recebendo delivery do McDonald’s. Foto: Jonathan Ernst/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transformou o Salão Oval da Casa Branca em palco de propaganda política nesta segunda-feira (13) ao pedir uma entrega do McDonald’s para destacar o corte de impostos sobre gorjetas aprovado por seu governo. A ação foi montada diante da imprensa e teve como personagem central a entregadora Sharon Simmons, da DoorDash, que chegou à residência oficial usando uma camiseta vermelha com os dizeres “Vovó do DoorDash” e carregando duas sacolas de fast-food.

Trump abriu a porta pessoalmente para receber o pedido e aproveitou a presença da entregadora para reforçar a narrativa de que sua política econômica estaria beneficiando trabalhadores que dependem de gorjetas. Ao lado de Simmons, o presidente respondeu a perguntas de jornalistas sobre diferentes temas, enquanto a entregadora afirmou ter economizado uma quantia significativa desde que os impostos sobre gorjetas foram eliminados.

A encenação acontece em um momento em que a Casa Branca tenta recolocar a economia no centro do discurso político de Trump. Com o controle do Congresso em disputa nas eleições de meio de mandato de novembro, assessores do presidente iniciaram o ano apostando na divulgação de indicadores econômicos e no impacto dos cortes de impostos.

Esse esforço, porém, foi prejudicado pela guerra travada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que elevou os preços do petróleo e dos combustíveis, reduzindo parte do efeito positivo que o governo tenta vender ao eleitorado.

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

A lei de 2025, chamada por Trump de “big, beautiful bill”, eliminou impostos sobre gorjetas, aposentadorias, pagamento de horas extras, juros de financiamento de veículos e também tributos estaduais e locais. O governo tenta apresentar esse pacote como prova de alívio financeiro para trabalhadores e consumidores, embora o cenário internacional tenha passado a impor obstáculos à estratégia.

Durante a encenação no Salão Oval, um repórter perguntou a Sharon Simmons se a equipe da Casa Branca costumava dar boas gorjetas. Ela respondeu: “Hum, potencialmente”.

Nesse momento, Trump interrompeu a conversa, colocou a mão no bolso e entregou a ela o que parecia ser uma nota de US$ 100. “Obrigado, você me lembrou”, disse o presidente. Mais tarde, em entrevista à Fox News, a entregadora resumiu a experiência afirmando: “Ele cuidou bem de mim”. Questionada sobre o valor recebido, porém, evitou entrar em detalhes: “Eu não falo sobre dinheiro”.

Simmons também tentou escapar de temas políticos levantados pelo próprio presidente diante das câmeras. Ao ser questionada por Trump sobre a participação de homens em esportes femininos, respondeu: “Eu realmente não tenho opinião sobre isso… Estou aqui por causa do imposto sobre gorjetas”.

Em seguida, quando o presidente quis saber se ela havia votado nele, limitou-se a sorrir e dizer: “Hum, talvez”. A cena reforçou o esforço de Trump para transformar um gesto cotidiano em peça de campanha, usando até uma entrega de fast-food como vitrine de sua agenda fiscal.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.