PUC-Rio investiga ofensas racistas à memória de Marielle Franco

Atualizado em 2 de novembro de 2026 às 11:59
Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio. Foto: reprodução

A PUC-Rio abriu uma investigação interna para apurar denúncias de ofensas racistas contra a memória da socióloga e ex-vereadora Marielle Franco, formada pela própria universidade. A instituição informou que recebeu os relatos pela Ouvidoria e pelo Canal Externo de Denúncias.

Em comunicado divulgado na última sexta-feira, a Reitoria e a Coordenação Central de Integridade afirmaram que conduzem o caso no Programa de Integridade da universidade e adotam as medidas administrativas e legais cabíveis.

As denúncias envolvem mensagens atribuídas a um estudante do curso de Direito. Entidades estudantis receberam capturas de tela em 29 de outubro, com conteúdos que teriam sido publicados em um grupo de alunos no dia 13 do mesmo mês.

Nos registros, há uma referência racista a Marielle e comentários de caráter classista sobre a presença dela na PUC-Rio. A universidade não divulgou a identidade do estudante nem detalhes sobre as providências disciplinares em análise.

Prédio da PUC-Rio
Prédio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Entidades estudantis cobram medidas antirracistas

A denúncia relacionada à memória de Marielle ocorreu após outros relatos feitos por estudantes ao longo de outubro. No dia 7, a Associação de Pós-Graduandos da PUC-Rio e o movimento PUC-Rio Antifascista denunciaram situações de racismo, homofobia, misoginia, classismo e intimidação nos pilotis da instituição.

A tensão aumentou em 13 de outubro, quando a Liga da Juventude Livre realizou uma manifestação na entrada do campus em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Entidades afirmaram que o ato reuniu também figuras políticas da direita.

Quarenta e cinco entidades estudantis divulgaram uma nota de repúdio e uma carta aberta com cinco propostas para enfrentar o racismo e preservar a memória de Marielle Franco. Os grupos pedem formação em letramento racial para alunos, docentes e funcionários.

As entidades também defendem programas permanentes de educação antirracista, valorização da produção intelectual negra, ampliação da diversidade entre profissionais da universidade e reforço dos canais de denúncia e acolhimento. No comunicado, a PUC-Rio citou Marielle e a professora Lélia Gonzalez como referências da luta sobre raça e gênero no Brasil.

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