Putin é convidado para “Conselho da Paz” de Trump para Gaza

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 8:54
Putin says the world is getting more dangerous but is silent on Maduro and Iran | Reuters
O presidente da Rússia, Vladimir Putin. Foto: Reprodução

O Kremlin afirmou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu um convite para integrar o chamado “Conselho da Paz” idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Moscou, a proposta está em análise, e o governo russo espera manter contatos com Washington sobre o tema.

O conselho seria presidido vitaliciamente por Trump. A iniciativa começaria com a tentativa de mediação do conflito em Gaza e, depois, seria ampliada para tratar de outras guerras e crises internacionais.

Governos reagiram com cautela ao convite, que foi enviado a cerca de 60 países e começou a chegar às capitais europeias no sábado. Diplomatas ouvidos pela Reuters afirmaram que a criação do conselho pode prejudicar o funcionamento das Nações Unidas, ao criar uma instância paralela de resolução de conflitos.

A Hungria e a Argentina, cujos líderes são sabujos declarados de Trump, foram os únicos países a aceitar publicamente o convite até agora. Outros governos evitaram declarações oficiais, enquanto funcionários, sob condição de anonimato, demonstraram preocupação com os efeitos da proposta sobre o sistema multilateral da ONU.

Trump cobra US$ 1 bilhão para países ficarem em conselho de Gaza
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução

O estatuto prevê que os países membros tenham mandatos de três anos. A permanência definitiva estaria condicionada ao pagamento de US$ 1 bilhão para financiar as atividades do conselho, o que garantiria o status de membro permanente.

Também nesta semana, o Cazaquistão confirmou adesão à iniciativa. O porta-voz do presidente Kassym-Jomart Tokayev, Ruslan Zheldibay, afirmou que o líder cazaque foi um dos primeiros a receber o convite de Trump e enviou uma carta ao presidente norte-americano agradecendo e confirmando a participação. Segundo ele, Tokayev manifestou disposição em contribuir para uma paz duradoura no Oriente Médio, além do fortalecimento da confiança entre Estados e da estabilidade global. A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Tengri.

Enquanto isso, o Kremlin comentou outra declaração controversa envolvendo Trump. Na segunda-feira, o porta-voz Dmitry Peskov disse que é difícil discordar de especialistas que afirmam que Trump entraria para a história mundial caso assumisse o controle da Groenlândia. Peskov evitou avaliar se a hipótese seria positiva ou negativa, afirmando apenas que se tratava de uma constatação.