
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, impulsiona um programa estatal voltado ao combate do envelhecimento e ao aumento da expectativa de vida da população russa. Segundo reportagem do Wall Street Journal, o Kremlin passou a investir US$ 26 bilhões, o equivalente a R$ 131 bilhões, em pesquisas científicas, biotecnologia e medicina regenerativa.
A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional que combina saúde pública, demografia e projeção geopolítica. O objetivo do governo russo é transformar o país em uma potência global no desenvolvimento de terapias antienvelhecimento e tratamentos capazes de prolongar a vida.
O programa foi apresentado em 2024 com o título “Novas Tecnologias de Preservação da Saúde” e prometeu salvar 175 mil vidas até o fim da década. Os tratamentos estudados, porém, ainda estão em fases experimentais e não têm comprovação definitiva de eficácia em humanos.
A reportagem do jornal estadunidense lembra um episódio ocorrido em setembro, quando Putin foi flagrado por um microfone aberto em conversa com o presidente chinês, Xi Jinping. Na ocasião, o líder russo disse que os humanos poderiam alcançar a imortalidade por meio da substituição de órgãos. A fala foi interpretada como um bate-papo incomum entre dois líderes idosos.

De acordo com o Wall Street Journal, o programa ganhou força diante da preocupação do Kremlin com a queda populacional da Rússia e com os efeitos da guerra na Ucrânia sobre a demografia nacional. O governo russo vê o envelhecimento e a redução da população como desafios estratégicos para as próximas décadas.
A iniciativa inclui investimentos em estudos sobre genética, desenvolvimento de medicamentos experimentais, pesquisas celulares e tecnologias para retardar o envelhecimento humano. O governo também estaria financiando laboratórios e centros científicos dedicados à chamada medicina da longevidade.
Segundo a reportagem, Putin acompanha pessoalmente os avanços do projeto. O presidente russo já declarou em diferentes ocasiões que considera o crescimento populacional um tema de segurança nacional, especialmente em um país de grande extensão territorial e com desafios econômicos e militares crescentes.
O Kremlin também estabeleceu metas ambiciosas para elevar a expectativa média de vida da população russa nas próximas décadas. O plano integra uma política mais ampla de fortalecimento interno do país em meio ao isolamento provocado por sanções internacionais.
O projeto tem ainda um componente simbólico na disputa tecnológica entre grandes potências. Além de melhorar indicadores de saúde, Moscou tenta demonstrar capacidade científica em áreas consideradas estratégicas no cenário internacional.