Puxadinhos, consumação e entrada: como quiosques têm ocupado praias do Rio

Atualizado em 13 de janeiro de 2026 às 16:32
O Katukas, quiosque no Recreio que cobra R$ 800 para uso de sofá e poltrona na praia. Foto: Márcia Foletto

Em várias praias do Rio de Janeiro, especialmente nas regiões da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes, quiosques têm avançado sobre a faixa de areia, criando estruturas que ocupam espaços públicos. Esses “puxadinhos”, geralmente compostos por plataformas ou “deques” elevados, são usados para colocar mesas, cadeiras, guarda-sóis e até sofás.

Em alguns casos, como no quiosque Katukas, é cobrada uma taxa de R$ 800 para utilizar sofás durante eventos com música ao vivo, com o valor podendo ser revertido em consumação. Outras áreas, como o Clássico Beach Club, também mantêm estruturas similares que incluem espreguiçadeiras sobre a areia.

A cobrança de consumação mínima, como a praticada pelo Katukas e o Pato com Laranja, que cobra uma entrada de R$ 20, tem gerado desconforto entre os banhistas. A psicóloga Jack Santos, por exemplo, reclamou da ocupação desses espaços transforma a praia.

“É um espaço público, mas que acaba se tornando privativo. Isso gera desconforto tanto para os moradores quanto para as pessoas que usam a praia”, disse ao jornal O Globo. A música alta, especialmente em eventos, também contribui para o incômodo de quem frequenta as praias de forma tranquila, afetando ainda mais a convivência no local.

“Puxadinho” expandido do quiosque Pato com Laranja, na Barra da Tijuca. Foto: Márcia Foletto/O Globo

Em algumas localidades, como o Leblon, foi identificado que quiosques, como o Finns, também estendem suas estruturas sobre a faixa de areia, instalando deques e cadeiras. A presença de música eletrônica em volume elevado tem sido um ponto de discórdia. Os moradores e banhistas se queixam de como essas práticas alteram o ambiente natural e de lazer, especialmente durante a alta temporada.

A prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, reconhece que essas ocupações irregulares não têm autorização para se estender sobre a areia. A gestão tem intensificado a fiscalização e notificado os quiosques responsáveis, como o Katukas e o Clássico Beach Club, que foram advertidos por essas práticas de ocupação indevida.

A cobrança de consumação mínima também é considerada ilegal, sendo passível de multa, conforme estipulado pelo Código de Defesa do Consumidor.

Além das ações da prefeitura, o Ministério Público Federal também está investigando as ocupações indevidas de espaços públicos nas praias. A ação do órgão busca a demolição de estruturas que ocupam de maneira permanente a faixa de areia, considerando isso uma violação direta do caráter público da praia e uma afronta às normas ambientais.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.