
O clima de festa no QG do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante a apuração das eleições no último domingo (25) virou rapidamente um cenário de medo, com reunião de emergência sem script após a vitória do presidente Lula (PT).
De acordo com informações do Globo, o senador deixou o espaço onde políticos e convidados, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-RJ) e o coach Pablo Marçal, acompanhavam os votos e se reuniu reservadamente com a mulher, Fernanda, e integrantes do núcleo da campanha.
A publicação afirma que Flávio reagiu aos resultados em Santa Catarina e Minas Gerais com incredulidade e passou a questionar a derrota. “Não é possível, isso tá errado. Como é que pode?”, teria dito, ao comentar os números que chegavam ao comitê.
Assessores e aliados teriam tentado impedir que o discurso do candidato repetisse acusações de fraude contra as urnas. O marqueteiro Duda Lima, conforme a coluna, alertou: “O último que falou em fraude na urna acabou preso”.
A referência era à condenação de Jair Bolsonaro por liderar uma trama golpista para tentar impedir a posse de Lula, em 2023. O PL também recebeu multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé após questionar o resultado do segundo turno de 2022 com suspeitas infundadas sobre o sistema eleitoral.
▶️ Flávio Bolsonaro acompanha apuração em clima de consternação após vitória de Lula
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— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) October 26, 2026
Aliados divergiram sobre reação à derrota
Flávio teria entrado em divergências com integrantes da campanha. Enquanto Rogério Marinho (PL-RN), advogadas e a equipe de comunicação defenderam uma reação dentro das regras eleitorais, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa, teria pressionado pela anulação da eleição e feito acusações de “roubalheira”.
A discussão também envolveu a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação por duas horas, após ação apresentada pelo PT devido a chuvas e alagamentos. A campanha de Flávio teria feito pedido semelhante, mas restrito a municípios de cinco estados.
A coluna relata que Flávio disse temer uma prisão na semana seguinte, citando uma operação da Polícia Federal sobre pessoas ligadas ao advogado Willer Tomaz.
A PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo bets e apura se o senador teria ligação societária oculta com a Alcazar Holding; a reportagem menciona um e-mail apreendido que o identifica como “usuário master” de uma conta da empresa em maio de 2025.
Tarcísio de Freitas (Republicanos), Tereza Cristina (Republicanos-MS) e Guilherme Derrite (PP-SP) teriam defendido moderação numa segunda reunião. Já Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a legitimidade do processo eleitoral e falou em censura e perseguição judicial, sem mencionar fraude ou urnas eletrônicas.
Antes de ir à imprensa, a equipe preparava uma declaração em que Flávio reconheceria a derrota, criticaria a condução da eleição e anunciaria ações no TSE contra Lula por suposto abuso de poder político e econômico. O plano, conforme um participante ouvido pela coluna, buscava contestar o adversário pela via judicial sem pedir a anulação do pleito.
Flávio, porém, teria abandonado o texto preparado e falado de improviso. Diante dos jornalistas, afirmou que não reconheceria o resultado e declarou: “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”.