Quadrilha usa moradores de rua para fraudar contas GOV.br

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 13:24
Aplicativo do SouGov. Foto: Reprodução

Uma organização criminosa especializada em fraudes digitais usava pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social para abrir contas e aplicar golpes por meio da plataforma Sou.Gov. Segundo a investigação, o grupo recrutava moradores de rua para burlar sistemas de reconhecimento facial, liberar crédito e contratar empréstimos fraudulentos em nome de servidores públicos, principais alvos da quadrilha.

Segundo a coluna Na Mira no Metrópoles, o grupo utilizava softwares de automação para varrer dados e fazer uma “triagem qualificada” das vítimas, priorizando servidores públicos sem dívidas e com alto limite de crédito. As contas digitais eram abertas em nome das pessoas recrutadas, usadas para enganar os sistemas biométricos das instituições financeiras.

Após a abertura das contas, os criminosos editavam e imprimiam documentos físicos, como RGs e CNHs, com fotos dos próprios recrutados, para garantir aprovação em validações bancárias. Com os cartões ativos, realizavam movimentações de pequenos valores para simular uma rotina legítima e, assim, ampliar os limites de crédito disponíveis.

Na fase seguinte, a quadrilha suprimia a autenticação de dois fatores do Sou.Gov, elevando o nível de acesso das contas para “prata” ou “ouro”, o que permitia a contratação de empréstimos em nome das vítimas.

Segundo a PCDF, apenas dois casos investigados no DF geraram prejuízo de cerca de R$ 364 mil. A Justiça determinou o bloqueio de valores ligados aos suspeitos, que podem responder por organização criminosa e estelionato eletrônico.

26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte). Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

A ofensiva policial ocorre nesta quinta (29), na chamada Operação Duplo Fator, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, por meio da 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Norte. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados judiciais, sendo seis de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.

No Distrito Federal, as diligências acontecem nas regiões do Areal, Ceilândia, Riacho Fundo e Samambaia. Também há ações nos municípios de Aragarças, em Goiás, e Barra do Garças, em Mato Grosso. Para dificultar a atuação policial, os investigados alugavam imóveis por temporada, onde montavam estruturas com computadores e impressoras usadas nas fraudes.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.