Qual dos Ciros vale: o que quis levar Lula a uma embaixada ou o que agora lhe nega “indulto” caso eleito? Por Kiko Nogueira

Ele

O maior problema de Ciro Gomes, eu já escrevi aqui, é Ciro Gomes.

O candidato do PDT sofre de uma invencível incontinência verbal que, entre outros efeitos, o faz se contradizer de acordo com o interlocutor.

Na Jovem Pan, Ciro deu uma cacetada desnecessária em Fernando Holiday, do MBL, chamando-o de “capitãozinho do mato”.

Acabou oferecendo uma chance a uma figura nanica de aparecer. Está sendo chamado de racista há horas.

Em agenda no Amapá, Holiday avisou pelas redes que vai processá-lo (o que um vereador de São Paulo estava fazendo no Amapá é um mistério, mas isso são outros quinhentos dólares).

Ciro também garantiu aos presentes não pretende dar indulto a Lula se for eleito.

“Não está nas minhas cogitações”, disse.

Buscando se distanciar de Lula e do PT, Ciro declarou que não considera que os direitos do ex-presidente tenham sido eliminados quando de sua prisão.

“Não acho que foi golpe porque o devido processo legal foi inteiramente perseguido. O que eu acho é a sentença do Moro injusta”, afirmou.

“O que é diferente, porque você tem todo o direito de achar justa ou injusta, embora não seja minha atribuição sentenciá-lo. Agora, se o próprio Lula recorre da sentença é porque ele está aceitando o rito”.

Era o que a Globo queria ouvir. Logo ele foi para a home do jornal dos Marinhos.

Música para os ouvidos do Globo

Em junho de 2017, em entrevista ao programa do DCM na TVT, o mesmo Ciro Gomes revelou um plano para “salvar” o ex-amigo (assista no pé da página).

“Eu quero me voluntariar para formar um grupo, com juristas nos assessorando, que se a gente entender que o Lula pode ser vítima de uma prisão arbitrária, a gente vai lá e sequestra ele e entrega numa embaixada. Isso eu topo fazer”, declarou.

Confrontado, saiu-se com uma explicação esquisita:

“Nunca falei isso. Nesse contexto, não. O que eu disse é o seguinte – veja como as coisas são inversas: o PT está cometendo um grave equívoco. Das duas, uma: ou o PT considera que o Judiciário brasileiro está numa conspiração orgânica e, nesse caso, o caminho não é recorrer ao Judiciário, é tirar o Lula para [levá-lo a] uma embaixada. Eu me voluntario – disse eu, condenando a atitude do PT – a integrar um grupo de juristas que – chegando à conclusão de que o Lula está sendo violado nas suas franquias democráticas, ou seja, que o país estaria assistindo a uma escalada de golpe envolvendo o Judiciário – [a levar Lula] para uma embaixada. Definitivamente, é o oposto. Eu estava censurando a ideia de que, ao aceitar recorrer, denuncia o Judiciário como praticando um golpe. Aí fica meio esquizofrênico.”

Ciro se aproxima perigosamente do estilo dupla face consagrado, entre outros, por Michel Temer.

“A política ama a traição, mas abomina o traidor”, definia seu ídolo (por enquanto) Leonel Brizola.

Em qual Ciro acreditar? Em qual Ciro votar?

Ele vai ter que decidir o Cirão da Massa que vai apresentar ao eleitorado.

Um deles é mais parecido com FHC do que ele mesmo gostaria.

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