
O Irã reagiu às ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que qualquer ação militar americana será tratada como o início de uma guerra. A declaração foi feita nesta quarta (28), em meio ao deslocamento de uma frota militar dos EUA para o Oriente Médio e à escalada retórica entre os dois países.
O conselheiro sênior do líder supremo iraniano, Ali Shamkhani, afirmou que não existe possibilidade de ataque limitado. “Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA, de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra, e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor”, escreveu.
Antes disso, a missão do Irã junto à ONU (Organização das Nações Unidas) também se manifestou, dizendo que Teerã não descarta negociações, mas não aceitará intimidações. “O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes”, afirmou o perfil oficial.
As reações ocorreram após Trump declarar, em postagem na Truth Social, que considera uma operação militar caso o Irã não aceite fechar um acordo nuclear com Washington.

O presidente mencionou a “enorme armada” americana enviada à região e relembrou ataques realizados em parceria com Israel contra instalações nucleares iranianas no ano passado. “O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”, escreveu.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país não negociará sob ameaças e negou declarações de Trump sobre contatos recentes. Segundo ele, não houve “nenhum contato” com o enviado especial americano para o Oriente Médio, Steve Witkoff. “Conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares não pode ser eficaz nem útil”, declarou, após o envio de um porta-aviões dos EUA à região.
Autoridades iranianas já admitem a preparação para o “pior cenário”, incluindo uma “guerra total”. As tensões se intensificam em um contexto de repressão interna no Irã, alvo de críticas internacionais.
Segundo ativistas, ao menos 6.159 pessoas teriam sido mortas em protestos reprimidos pelo governo, fator citado por Trump em ameaças anteriores e que segue como pano de fundo do confronto diplomático e militar.