Quando até as baratas nos confundem. Por Moisés Mendes

Atualizado em 25 de julho de 2026 às 15:24
Índia
Apoiadores do Partido do Povo das Baratas (CJP) em protestos que levaram a derrubada do ministro da educação. Foto: Adnan Abidi/Reuters

É bom, mesmo que pareça ruim e bobinho, o ensaio de debate sobre a orientação política que predomina no movimento das baratas na Índia. Os jovens nas ruas são de esquerda, são de direita, são disruptivos, são apenas antissistema?

Observadores com idades ao redor dos 50 anos ou mais – e a milhares de quilômetros de distância – tentam usar ferramentas do século 20 para entender as inquietações do século 21, acionadas por gente com 15 a 30 anos.

É uma tarefa grandiosa e inglória, como se viu no Chile dos protestos de rua de 2019, que percorreram caminhos tortuosos, tiveram uma Constituinte fracassada e viram o país eleger José Antonio Kast, um fascista assumido, seis anos depois.

Se derrubarem Narendra Modi, os indianos colocarão o que no seu lugar? As perguntas sobre o movimento das baratas valem pelas próprias interrogações. Hoje, até as baratas não são apenas baratas.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/