
E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram que Elon Musk manteve contato direto com Jeffrey Epstein no fim de 2013 para organizar uma possível visita a uma de suas ilhas no Caribe.
As mensagens vieram a público na sexta-feira e contrariam declarações anteriores do bilionário de que teria recusado qualquer convite do financista.
Em 13 de dezembro de 2013, Musk escreveu a Epstein dizendo que estaria na região das Ilhas Virgens Britânicas e de St. Barth durante o período de festas e perguntou se haveria um bom momento para visitá-lo.
Epstein respondeu dois dias depois afirmando que o início do ano seguinte seria ideal e que “sempre haveria espaço” para recebê-lo. No Natal, voltou a escrever sugerindo os dias 2 ou 3 de janeiro e oferecendo-se para buscá-lo pessoalmente.
Na sequência, Musk afirmou que precisaria retornar a Los Angeles na noite do dia 2, mas depois indicou que poderia adiar a viagem. Em nova mensagem, perguntou diretamente quando deveriam ir à ilha no dia 2. Os documentos não confirmam se a visita chegou a ocorrer, mas indicam um nível de comunicação entre os dois que não era conhecido até agora.

As ilhas mencionadas, Great St. James e Little St. James, pertenciam a Epstein e ficam nas Ilhas Virgens Americanas. Little St. James foi apontada por investigações como um dos principais locais dos abusos cometidos por Epstein ao longo de décadas contra meninas e jovens mulheres.
A revelação contrasta com declarações públicas feitas por Musk em 2025, quando afirmou em uma postagem na rede X que Epstein teria tentado levá-lo à ilha e que ele teria recusado.
Na mesma época, durante um conflito público com o então presidente Donald Trump, Musk chegou a sugerir que a divulgação dos arquivos de Epstein estaria sendo retardada porque o nome do presidente constaria nos documentos.
A divulgação dos arquivos faz parte de um processo mais amplo conduzido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. No início do mês, o órgão admitiu em juízo que havia tornado públicos apenas cerca de 1% dos documentos que possuía sobre o caso.
Em 23 de dezembro, mais de 30 mil arquivos foram liberados, revelando vínculos de Epstein com políticos e figuras públicas, inclusive com a citação de uma vítima brasileira. O departamento informou que a liberação do restante do material ainda levará algumas semanas.