Quanto ganha um escrivão da Polícia Federal, cargo do foragido Eduardo Bolsonaro

Atualizado em 3 de janeiro de 2026 às 22:34
O ex-deputado federal e escrivão da PF licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Reprodução

O cargo de escrivão da Polícia Federal, que pode ser perdido por Eduardo Bolsonaro caso ele permaneça nos Estados Unidos, tem salário inicial de R$ 14.164,81 e pode chegar a R$ 21.987,38 no topo da carreira. Os valores constam na tabela de remuneração dos servidores federais de 2025 e voltaram ao debate após a cassação do mandato do ex-deputado por faltas na Câmara.

Com a perda do mandato parlamentar, Eduardo está formalmente obrigado a reassumir o cargo na Polícia Federal. Especialistas explicam que, encerrado o impedimento legal, o servidor tem até 30 dias para retornar às atividades. Caso não se reapresente, a legislação prevê mais 30 dias antes da caracterização de abandono de cargo, o que pode resultar em demissão.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde fevereiro e declarou não ter condições de voltar ao Brasil neste momento. Em declarações públicas, afirmou que não pretende abrir mão do cargo “de mãos beijadas” e disse que irá lutar para mantê-lo, alegando que foi aprovado por concurso público após esforço pessoal.

A convocação para retorno ao serviço foi publicada no Diário Oficial da União no dia 31 de dezembro e determina a reapresentação imediata, ainda que para fins administrativos, na delegacia da PF em Angra dos Reis (RJ). O documento ressalta que a ausência injustificada pode levar à adoção de medidas administrativas e disciplinares.

Tabela mostra a remuneração do cargo — Foto: Reprodução

Além da situação funcional, o ex-deputado enfrenta processos no Supremo Tribunal Federal. Ele é réu por coação no curso do processo, sob a acusação de articular sanções internacionais contra autoridades brasileiras como forma de pressão política. O ministro Alexandre de Moraes citou que a atuação teria buscado intimidar o Judiciário às vésperas do julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.

Na esfera administrativa, a Polícia Federal também abriu processos disciplinares ao longo de 2025 para apurar ataques públicos de Eduardo à corporação e a delegados federais. A depender do desfecho dessas investigações e do eventual não retorno ao cargo, o ex-deputado pode perder definitivamente a função e o salário que hoje varia entre R$ 14 mil e quase R$ 22 mil mensais.